Lisboa - Belém

era tão bom que pudéssemos regular a cor do que vemos, conforme os dias, as disposições, os brilhos e os baços. depois acumulávamos pontos, por exemplo, a quem optasse por ver tudo com muita cor, eram acumulados pontos que depois eram descontados em vales de dias de sol livres para ler na esplanada com comida à descrição.

um escritor que não escreve, é culpado

A necessidade de escrever cresce num escritor grosseiramente,
abre-lhe vales onde correm imagens, factos, defeitos e circunstâncias
com a velocidade atroz da água que abotoa a terra,
e quando lê as palavras dos escritores,
desabam aldeias inteiras dentro de si,
os seus caules nervosos inquietam-se desajeitadamente,
rebolam-se e escavam até uma profundidade tal
que se instala um eco dentro, do tamanho do vento.
Um escritor que lê sobre escritores, corre perigo.
Um escritor que não consegue escrever não tem desculpa,
excepto quando consegue atropelar o seu próprio cansaço, e escrever.
Sempre que um escritor deixa passar momentos
que o seu corpo lhe diz serem importantes escrever,
a música entristece, as estradas perdem os caminhos,
os móveis riscam-se e perdem o brilho vaidoso por serem velados,
as casas perdem os alicerces, os dedos encolhem-se e encurtam,
e apenas os dias avançam, refastelados e obesos de horas ingeridas.

make it sweet!

o mar não cheira a mar no Inverno, pois não?

APARTIR DE HOJE, AS FOTOGRAFIAS APARECEM EM GRANDE. FINALMENTE.

fronteiras

há frases e há explosões de genialidade em forma de palavras

O talento especial para um bom escritor é ter implantado em si próprio um detector de merda à prova de choque.
Entrevistas da Paris Review, palavras de Ernest Hemingway, pág. 136

o princípio do iceberg*

hoje ri-me com o princípio do iceberg, teoria que instantaneamente apliquei ao ser humano, comuns pessoas: Há sempre sete oitavos submersos para cada parte que está à vista. a grande diferença que noto na minha caminhada para a maturidade é essa escassez de curiosidade (antes irreprimível), que fotograficamente se explica com: aprendi a apreciar a paisagem, sem meter a mão na água.
*frase do livro Entrevistas da Paris Review, palavras de Ernest Hemingway, pág. 131

há vida no Aquário Vasco da Gama

é relaxante descobrir coisas em museus, mas não é bom experimentar sapatos novos em museus. aliás, Domingo não é dia para se ter pés doridos e isso é quase tão irritante como não ter tido tempo para ver a feira de velharias do jardim de Algés. é bom entrar numa casa que alguém decorou para mostrar aos outros coisas que considera terem interesse, e é bom confiar nessa partilha e relaxar a cabeça a fazer associações entre o que vemos espalhado pelas salas e o que nos corre no pensamento. como as conchas e as artes, as artes e as leis. e concluir sem grandes filosofias, que também os peixes lua oblongos passam por uma espécie de puberdade. e que depois de tudo o que já se escreveu sobre a puberdade, esta não é mais do que o corpo coberto por largos e serrados espinhos.

e depois gastar tempo debruçados em pequenos ecrãs de água e observar simplesmente as próprias vidas de outros seres, de quem não sabemos grande coisa, mas que nos inspiram como se estivéssemos todos ligados por cabos usb.

há vida no Aquário Vasco da Gama. há vida aos Domingos. há vida, à meia noite, madrugada de Segunda-feira, madrasta Segunda-feira.

livro - Entrevistas da Paris Review

As pessoas entre os vinte e os quarenta não são simpáticas. (...) Dado que a sua capacidade de fazer é canalizada compulsivamente para o mal por meio de pressões várias e pelo ambiente que o rodeia, o homem é forte antes de ser moral. As angústias do mundo são causadas por gente entre os vinte e os quarenta anos.
Entrevistas da Paris Review, entrevista de Wiliam Faulkner, pág. 80

livro - Entrevistas da Paris Review

A vida não está interessada no bem e no mal. (...) Uma vez que as pessoas só existem em vida, devem dedicar o seu tempo simplesmente a estarem vivas. A vida é movimento (...) O tempo que um homem pode dedicar à moral é tempo que ele tem de roubar ao movimento de que faz parte. É compelido a fazer escolhas entre o bem e o mal mais cedo ou mais tarde, porque a consciência moral lho exige para que ele possa viver consigo próprio no dia seguinte. A consciência moral é a maldição que ele teve de aceitar dos deuses, de modo a obter deles o direito a sonhar.
Entrevistas da Paris Review, entrevista de Wiliam Faulkner, pág. 78 / 79

livro - Entrevistas da Paris Review

(...) é uma vergonha trabalhar-se tanto por esse mundo fora. O facto de um homem não poder fazer mais nada durante oito horas por dia, dias após dia, é uma das coisas mais tristes que é possível imaginar. Não se pode estar a comer nem a beber durante oito horas por dia, nem se pode fazer amor durante oito horas - a única coisa que se pode fazer durante oito horas seguidas é trabalhar. Isto explica porque é que o homem provoca a si mesmo e aos outros tanto sofrimento e infelicidade.
Entrevistas da Paris Review, entrevista de Wiliam Faulkner, pág. 74

livro - Entrevistas da Paris Review

Ninguém vive sem o cristianismo, se é que nos estamos a entender acerca do significado dessa palavra. É o código de comportamento individual de qualquer indivíduo, por intermédio do qual ele faz de si próprio um ser humano melhor do que aquilo que a sua própria natureza desejaria ser, se ele se guiasse apenas pela sua natureza.
Entrevistas da Paris Review, palavras de Wiliam Faulkner, pág. 70

coisas giras (uns Melissa)

o mar aplicado às estações e à pele

hoje quando acordei, tudo o que mais queria era sentir o cheiro do mar. fiz-me à estrada e no caminho fui a pensar que o cheiro do protector solar é uma espécie de maquilhagem que a praia usa no Verão, e que no Inverno se sente toda a brutalidade da maresia, com as borbulhas, os pontos negros e todas as imperfeições inerentes. como se o Inverno estivesse para a praia como os dias livres estão para os humanos.

história mal amanhada mas solarenga

era um homem que dedicou toda a sua vida ao trabalho. quando se reformou, encheu o carro com todo o dinheiro que amealhou e partiu com a intenção de nunca mais ter frio. gastou todo o dinheiro que tinha a viajar, mas convencera-se a si próprio que também na vida se deve conduzir sem parar até encontrarmos o sol. e desde então, não lhe importava regressar ao mesmo sítio, voltar atrás, subir ou descer, porque sentia calor.

Óbidos

Óbidos é bom para se estar. é bom ficar em silêncio nos degraus da igreja, a ouvir as conversas daqueles que se passeiam a discutir trivialidades, debaixo da escuridão das sete horas de Janeiro e do som de fundo embalador, que é a auto-estrada. é quase como se estivéssemos sentados num ferro de uma ponte imensa por cima de toda uma cidade agitada, que é uma imagem muito mais intensa do que ter o rabo molhado nos degraus de um edifício mal iluminado. mas dali conseguimos ouvir os murmúrios da vida quase do lado de fora e isso é, por vezes, terrivelmente reconfortante.

respirar precisa-se

mensagem para a kiau

tens razão. está novamente aberta a porta dos comentários, para a partilha das opiniões mais ou menos idiotas. :P

definição de acordar com estilo

De fabricação robusta. Barras de protecção frontais. Ventilador com duas posições de calor.Fácil de agarrar com duas asas frontais. Cabo industrial. Protegido do sobreaquecimento. Ícone com alerta de calor.Base extra larga para uma maior estabilidade.

o novo

os dias são tão mais saborosos quando sabemos que temos uma viagem marcada. uma espécie de certeza de que vamos ter aqueles dias para aproveitar livremente, lá longe. a forma mais eloquente de ter esperança. imagens das paisagens que vamos fotografar, do que vamos ver. o novo.

verdades

há que admitir que o ponto mais excitante do meu dia foi comer um prato cheio de ganja em cima do sofá novo.

a melhor notícia do dia

a Xana abriu o blog outra vez. obrigada.

Avatar - um filme em 4 palavras

neguei, hesitei, arrisquei, adorei.

de boca aberta

Cantora Lhasa de Sela morre aos 37 anos, vítima de cancro da mama.

Lewis Carroll, Alice do outro lado do espelho

Muito surpreendida, Alice olhou à sua volta, dizendo:
- Ia jurar que estivemos debaixo desta árvore durante todo este tempo! Está tudo como estava!
- É claro que está. Como querias que estivesse? - respondeu a Rainha.
- Bem, no meu país - disse Alice ainda a gaguejar - geralmente chegamos a qualquer lado... Se corremos durante muito tempo, como foi o nosso caso.
Lewis Carroll, Alice do outro lado do espelho, pág. 36

2010

novo ano: reabastecimento do stock de corrector de olheiras e inciação dos planos das próximas viagens.

hino às viagens

saudades de viajar de comboio por destinos desconhecidos a ler palavras quentes de livros antigos e o sol de Inverno bate de frente no vidro. dos desconhecidos que se tornam quase companheiros quando todos nos descalçamos e velamos os sonos uns dos outros quando temos vontade, porque a viagem dura e o descanso pede licença. saudades de horas e descobertas. tantas saudades de uma viagem.

os alicerces desta terra e as toalhas turcas

tudo o que me faria feliz era não trabalhar até ao final do ano. sim, sei que estou a dizer isto a 29 de Dezembro, mas são aqueles dois dias que custam tanto, especialmente quando tenho tanta coisa para fazer e terminar a horas.

custa-me muito sentir que sou mais feliz a provocar alegria nos outros, isso mesmo, provocar alegria, porque depois não sei o que fazem por cá tantas pessoas incompetentes e uns nabos em cooperar com os outros. é ridículo passar a vida a lutar contra dados tão assentes nos alicerces desta terra, mas não consigo evitar, porém, o que não entendo mesmo é porque é que as toalhas turcas têm as partes bordadas precisamente onde se coloca a cara.

tarefas amorosas

.. por outro lado, a acção Ler entre linhas* da Carris é deliciosa.

* distribuição de excertos de livros nas entradas do metro.

tarefas a que não entendo o propósito

se somarmos o acumulado de tempo desperdiçado numa tarefa, apercebemo-nos que é inútil o tempo que as senhoras demoram, por pessoa, a preencher à mão os números do passe, quando mesmo acima está esse mesmo número gravado no próprio passe..

constatações de um gato

tinha um lenço cheio de ranhoca em cima do sofá e quando reparo, tinha o meu gato a fazer aquele gesto tipicamente felino, de quem tenta tapar porcarias. era efectivamente um lenço de papel, que não tinha mais do que ranho. questão: como é que o gato sabe que o ranho é porco?

o sismo, a estória de uns segundos do povo português

duas conclusões: apercebo-me de que a maioria dos nossos sismos aparecem à noite e que as pessoas se deitam bastante tarde.

festa temática

desejo do dia: fazer / organizar / preparar / participar numa festa temática.

Caim - José Saramago III

Nós somos apenas anjos, pouco sabemos dessa charada indecifrável a que vocês chamam natureza humana, mas, falando com fraqueza, não vemos como irá resultar satisfatória a segunda experiência quando a primeira acabou no estendal de misérias que temos diante dos olhos.

José Saramago em Caim, pág. 165

olhos de batata velha, cão a ladrar

às vezes tudo o que gostava de saber é porque é o nosso corpo, sendo praticamente um bem perecível, precisa de tanta manutenção. qual a razão para necessitarmos de tomar banho, lavar os dentes, depilar, alourar pelos, cortar o cabelo, cortar as unhas, comer, ir ao médico, fazer exames, adoecer, cortar, cozer, recuperar, praticar exercício, bronzear, sarar, tratar, sendo ainda obrigados a assistir à nossa própria e constante metamorfose, que não é contudo vista da mesma forma por duas pessoas. o ponto de vista diverge e é quase ridículo que um olho de batata velha pareça na sombra um cão a ladrar dentro de um ninho com dois passarinhos bebés de bico aberto a pedir comida à progenitora. e como é que ainda somos programados para levar isto a sério?

ditados inventados I

facas de serrilha não descascam clementinas.

estranho encontro com o conforto

o conforto não tem exactamente hora marcada. aparece quando quer e nem sempre está onde o pensamos encontrar. porém, ontem, madrugada dentro, abro a porta da cozinha e lá estava ele dentro da máquina de lavar e secar roupa. sentei-me no chão, a casa silenciosa, o vidro do tambor quente. nada nesta noite poderia ser mais confortável que ver a máquina da roupa secar as toalhas do banho.

Caim - José Saramago II

O caminho do engano nasce estreito, mas sempre encontrará quem esteja disposto a alargá-lo, digamos que o engano, repetindo a voz popular, é como o comer e o coçar, a questão é começar.

José Saramago em Caim, pág. 104

pequeno ensaio vivencial à luz da metáfora de uma corrente de bicicleta

chegou perto da beira da cama, as pernas disputaram a chegada como se estivessem amortecidas por música alta, a bacia do seu corpo descompassava-se entre os segundos que passavam, como se fosse uma pessoa que corre atrás do autocarro e ele não pára e se pára, o motorista não abre a porta, porque estamos num semáforo vermelho. e parecia-lhe que vivia para aquele segundo em que se ajeita na cama e dá o suspiro de um dia inteiro de vida. os membros encontram a horizontalidade e as vidas dentro das suas pernas escorregam pelo corpo temático interno, as costas enroscam-se entre os ossos, os músculos e o pijama e há finalmente silêncio. adormece quase instantaneamente, antes mesmo de conseguir ansiar por uma noite de insónia em que o seu organismo lhe permita aproveitar aquele momento glorioso. cada dia se lembra de menos um passo. antes lembrava-se de tudo depois de acordar, passou a lembrar-se de tudo depois de se vestir, depois de sair do banho, depois de desligar as luzes à noite, depois de chegar perto da cama. chegou perto da beira da cama. chegará o dia em que não se lembrará de nada, e nesse dia a vida não existirá. o automatismo dominará e nunca mais terá a possibilidade de quebrar essa corrente inquebrável, como uma corrente de bicicleta que não tem fim mesmo quando sai do sítio e nos suja as mãos. rodamo-la mas não existe opção que não seja voltar a colocá-la na extremidade em que encaixa e permita à roda rodar.

Caim - José Saramago

Se os tempos fossem outros, talvez tivesse chorado, talvez se tivesse desesperado, talvez tivesse dado punhadas no peito e na cabeça, mas sendo as coisas o que são, praticamente o mundo só agora foi inaugurado, faltam-nos ainda muitas palavras para que comecemos a tentar dizer quem somos e nem sempre daremos com as que melhor o expliquem (...)
Caim, José Saramago, pág. 45

Feira de Chocolate (Grândola)

acontecem as imagens mais doces em dois pavilhões adocicados com licores ternurentos e o sabor confortável do chocolate. as ruas dos nossos dia-a-dias, podiam ter barraquinhas com um forninho quentinho a vender fogaças ou pães com chouriço, que já ninguém aguenta a dieta dos cafés à base de bolos de pastelaria, dedadas e moscas nas vitrines. mas a trotinete do algodão doce, do pão quente ambulante, dos menus-lanche azeitonas com queijo de cabra, pão com alho quente, as próprias das fatias douradas ou o chouriço assado. isso sim. que as cidades dos nossos tempos mais parecem o protótipo da mulher jovem: gabardine beje até ao joelho, bota por fora das calças e unha de gel. um aborrecimento.

música do dia: Dreamworld: Marco De Canaveses

os gatos gostam de casas limpas e eu gosto de descobrir músicas dentro de carros. fica esta, com um estranho nome e uma dupla improvável.

Los Abrazos Rotos

ficaram-me duas questões, filme à parte: a) porque é que as senhoras se riam como se estivéssemos numa revista portuguesa no Parque Mayer? b) porque é que um bilhete de cinema custa 6 euros?

home

arte, é.

.

Não podemos fazer nada contra a vontade do céu, sobretudo se está a chover.

Cervantes

coisas giras e intemporais: o filme Frankie & Johnny (1991)

o poder das sonoridades: The Ronettes - Be My Baby

um dia quando me casar, esta música vai lá estar.

ajustes justos

admito, até é capaz de existir alguma espécie de equilíbrio (o mundo é redondo, eu sei, o equilíbrio não é para evitar que caia, é para evitar que gire com tanta violência), caso contrário, dificilmente seria possível receber notícias que, despidas de benefícios sociais ou outros, não são mais do que ajustes justos. e que bem que sabem. isso e coca-cola fresca quando se tem a garganta seca. sim, ajustes justos que tanto podia ser o nome de um candidato a uma junta de freguesia, como um nome de telenovela ou uma expressão espirituosa em latim. ajustes justos.

e você, se lhe perguntassem por um vício, o que responderia?

ora, essa é fácil: Queijo de cabra Palhais, entradas e saladas.

mulheres

é tão fofinha aquela ambição das mulheres que constroem casas, em ter uma janela por cima do lava-louça.

é tempo de inspirar..

Petit Gâteau

hoje pensei com a estrada. gosto tanto de pensar com a estrada, principalmente ao anoitecer, quando o dia é tão romântico que deixa passar faíscas de amor que nos perfuram a pele como se fossem os aparelhos de calcular os diabetes.

quantos metros de cabelo já teremos cortado? quem é a pessoa que tem as unhas mais compridas do mundo? sou inundada frequentemente com este género de questões, principalmente na estrada.

a minha cabeça é uma espécie de Petit Gâteau: quando se aquece um pouco, o interior liquefaz-se.

o tempo é relativo mas os matraquilhos não

gosto destas festas / feiras especialmente pelo carácter temporário que as reveste de uma unicidade fascinante. já nada existe nestes locais, como se se pudesse até jurar que nada existiu, que ninguém lá esteve, que ninguém enchia as ruas de barulho e confusão, todos embrulhados na leve alegria das noites de verão. e jogar matraquilhos. há quanto tempo se deixou de jogar matraquilhos?

às vezes a vontade de viajar atenua-se com as fotografias das viagens dos outros

viagens + frases espirituosas = gnoveva feliz. (imagem daqui)

tadinha

esqueceu-se durante anos daquelas suas calças de ganga, motor de outros tempos. andava cheia de frio, sabia agora porquê.

o poder estrutural das melodias

três exemplos:
- intro da série Happy Tree Friends, aqui
- Miriam Makeba e o seu Pata Pata intemporal, aqui
- Amália Rodrigues com o seu Barco Negro (música que às três da manhã encerrou em bom volume uma noite de Bairro Alto de forma genial, arrepiante e magnificente.), disponível aqui

mergulhos

lembro-me bem do tempo que passava a imaginar o primeiro mergulho de mar do ano. tenho inclusivamente composições sob o tema O mar, manuscritos a letra de escola primária, a relatar o medo, respeito e outras considerações sobre o tema. sinto (descubro agora) exactamente o mesmo pelos desafios que me aparecem nestas férias que a morte no oferece (frase roubada a um génio que não me lembro quem, referindo-se claro, à vida).
porém, é sempre o caminho até ao mar que mais custa, não é? depois o nariz enche-se daquele cheiro feiticeiro da maresia, o sol reflecte-se na água e dá aquela impressão mágica de brilhar, e repara-se com existem tantas outras pessoas espalhadas na rebentação. a água deixa de parecer tão fria e o próprio corpo esquece os receios e lança-se. depois já não custa nada. e mesmo que engulamos um pirolito ou outro, no fim do dia, quando o sol se põe, fica sempre aquela leveza indescritível da água salgada a borbulhar em nós.

nova era

quando saio do computador por 10 minutos por dia, fora horas normais de descanso, deslocações e breves momentos lúdicos, tenho reparado nas janelas aleatórias das pessoas jovens vizinhas e reparo que há sempre pelo menos alguém naquela posição tão triste: costas curvadas, olhos no ecrã, dedos no teclado, televisão ligada para efeitos de companhia. as paredes das divisões são brancas, desprovidas de vida e de mobiliário existe pouco mais que aquela secretária e cadeira, em que se deposita tanta dedicação.
as noites desta geração jovem e ambiciosa por chegar mais longe, são os breves instantes que ditam o cruzar do olhar distraído pelas horas (canto inferior direito do ecrã), quando esses próprios olhos se cansam e boicotam esse dia até obterem ordem para umas horas de sono, até à maratona seguinte.

ultraje

não sei exactamente por quem, mas fui ensinada a ser aquilo que era suposto se ser e não aquilo que eu queria ser / sentia que era. tenho descoberto à minha conta que afinal isso não funciona e como resposta, só me aparecem duas hipóteses: ou sou péssima a representar ou foi um mau conselho.
é um bocado como uma pessoa passar sete anos a encolher a barriga porque acha que vai ser indesejado se não o fizer e num dia ser acusado de esconder a barriga, que afinal os barrigudos tinham previlégios, e a pessoa ficar confusa durante algum tempo mas depois fazer questão de sair de casa em biquíni.

expressões giras

de supetão.

Lisboa - Bairro Alto

ataque de momentos + música: Hair - Let the sunshine in

vivo de momentos, que podem ser dias, comummente alturas. noto uma espécie de dormência que me impede de mexer, de reagir. tanto podem passar sete minutos como três meses ou até anos, mas sei que fico em stand by até certo momento (lá está), em que passo a conseguir pensar e finalmente ajo. tenho esta espécie de bloqueios de acção e graças a eles, sei que consigo resolver tudo o que me aparecer à frente, desde que respeite este mecanismo que existe cá para dentro, algures.

num segundo qualquer, interpondo-se alarvemente no meio de qualquer situação, prossegue a emissão e estou pronta a acabar o que me deixou paralisada. não sei se existem tardes demais, mas sinceramente isso deixa de ser relevante, porque me satisfaz esta forma que o meu corpo, ou o que quer que seja que me faz existir, encontra para se purgar.

hoje aconteceu um desses momentos e algumas realidades deixaram hoje de ser turvas e inatingíveis. a leveza leva-me agora ao colo. a minha banda sonora só podia ser esta. no tom máximo das colunas que são o mundo inteiro, que eu não sei ouvir música de outra maneira.

música do dia: Fleet Foxes - White Winter Hymnal

I was following the pack
all swallowed in their coats
with scarves of red tied ’round their throats
to keep their little heads
from fallin’ in the snow
And I turned ’round and there you go
And, Michael, you would fall
and turn the white snow red as strawberries
in the summertime
[uma canção de embalar, versão hardcore.]

música da noite: Sufjan Stevens - John Wayne Gacy Jr

hoje não é difícil, mas esta música traz cá para cima uma mão cheia de coisas, sendo portanto preferível ouvi-la de olhos bem fechados.

22 minutos

nunca são os dias inteiros disponíveis que desejamos, mas os vinte e dois minutos livres dentro dos dias preenchidos. uma espécie de extradição que funciona sempre ao invés dessas horas todas juntas de porta aberta. os espaços abertos tendem a retrair-nos, o que se aplica tanto a praças intermináveis como ao bife que temos na frigideira. a comida e a relação que construímos com ela, explica praticamente tudo o que é importante.

(cumprimentos e) despedidas

há pessoas singulares, que são perfeitas para primeiras impressões e escabrosamente imperfeitas para despedidas. parece apenas uma distância entre um início e um fim, mas tem outras implicações inimagináveis, como por exemplo significar que afinal somos uma lástima, quando na realidade podemos ser não só uma lástima, mas uma lástima sentimental, e é injusto, sendo uma despedida, não se ter oportunidade de reparar nunca mais essa diferença inqualificável.

estas noites que não vivo

quando temos fome, continuamos a comer. não há absolutamente nada de errado nisto e é aceite. saborear uma noite, acontece da mesma forma e é injusto não haver essa abertura, quando na realidade comemos as noites, as tardes, as manhãs, os minutos, que por alguma razão nos sabem bem. e esta noite merecia-me e eu merecia ter esta noite. não vou. não posso. podia adicioná-la aos favoritos, mas sei que se acabam por não ler. nestes momentos, rezo para que não existam aqueles três minutos antes do fim que servem para a vida nos passar em modo trailer, porque vou assistir às condenações brutais de todas as noites da minha vida que não pude viver. e os dias sucedem-se pois repetidos, estagnados e cinzentos, rindo-se, imperiosos, desta cruel tomada de posição.

link para talento alheio: The photographic dictionary

vou roubar a ideia aos Dias Assim e linkar esta brilhante página, que merece. para ver com tempo.

música do dia: Cole Porter - It's de-lovely

It's delightful, it's delicious, it's delectable, it's delirious, It's dilemma, it's de limit, it's deluxe, it's de-lovely..

ainda passam episódios do Six Feet Under na tv

saudades das noites das segundas-feiras em que víamos sofregamente um novo episódio do Six Feet Under, sentados conforme fosse mais confortável, imaginando o sofá que não existia.

o breve conto da árvore e da pessoa

era uma vez uma árvore que era cuidada com muita atenção, podada e regada convenientemente por uma pessoa. um ano, sem aviso, deixou de dar fruto. a pessoa passou uma temporada difícil e fraca, dada a escassez do alimento que lhe garantia a permanência da vida. a árvore nunca se mexeu um milímetro do sítio onde criara as suas raízes. assim são por vezes as relações humanas.

sinais dos tempos?

apaixonei-me por dois relógios. eu. por relógios. Calvin Klein. eu. relógios.

estupidez

estou cheia de medo de voltar a fazer gelatina.

os humanos I

era um semáforo vermelho. tudo se passa nos segundos que levam de um semáforo vermelho a outro. do carro ao lado vibrava uma música electrónica, liderada por uma dança de um homem com grandes bochechas. atrás, uma criança tipicamente cor-de-rosa com as mãos na boca e olhar confuso. pareceu-me ter assistido a uma longa metragem até fica verde. aquela imagem podia ser perfeitamente um argumento. perfeitamente.

não tive tempo

nunca acreditei na frase não tive tempo para. temos sempre tempo para as coisas que nos importam. tanto é que temos tempo para responder a alguém prontamente que não tivemos tempo para elas porque. porque na realidade queremos dizer-lhes que se lhes quiséssemos dedicar o nosso tempo, não haveria espaço para o tempo que gastamos a dizer-lhes que não tivemos tempo. este é portanto o mais profundo acto de hipocrisia, o do não tive tempo para. todos sabemos que temos sempre tempo para folhear aquela revista que compramos todos os meses, para regar as plantas, para dar festas ao gato, para tomar um duche. temos sempre tempo para aquilo que nos faz falta.

explicação emocional

gostava que houvesse uma explicação emocional para o facto das pessoas residentes no hemisfério norte verem o lado direito da Lua na sua fase quarto crescente e os do hemisfério Sul verem o esquerdo. é como se a Lua crescesse para lados diferentes e isso é mais ou menos interessante, dependendo do lado do mundo em que se vive.

música do dia: Smog - Bloodflow

7 minutos e 19 segundos que faziam falta ao youtube, há muito tempo. colunas no máximo, por favor.

uma estória muito escura

ele disse-lhe, corajoso: Porque disparas assim sobre nós?
e o outro disse finalmente: Pensei que fossem vós as próprias balas.

o cúmulo da ingenuidade

ter não uma, mas duas ideias antes de deitar e acreditar que no dia a seguir nos vamos lembrar delas.

o cúmulo da redundância

era um ovo, obviamente.

o poema da gelatina que não solidificou

gelatina minha, com frutos a acompanhar
que te deu para não solidificar?
terá sido demasiada fruta,
ou ainda estares a ferver?
não sei, mas foi trabalho ao vento
e agora que me sento,
lembro-me o que me apetecia
desmesuradamente te comer.

não sei ser humano I

não entendo esta coisa de termos de tratar mal as pessoas para elas gostarem de nós, mas confirmo a regra a cada mês que passa.

música do dia: The Last Shadow Puppets - Meeting Place

não sei se as bandas sonoras dos filmes são escolhidas após árduas buscas e brainstormings demorados ou se pelo contrário, partem normalmente de uma única pessoa que já engendrou as cenas e as notas e as músicas e as letras dentro da sua matemática mental. sei que esta música tem tanto a óbvia musicalidade, como as imagens. tem tudo. confirmar aqui.

[só não tem a ligação Camané - The Last Shadow Puppets como ele afirmou esta manhã na Radar, no Fala com Ela da Inês Menezes. engraçado isto.]

Goethe e os concursos

Quem não acerta com o primeiro botão na primeira casa não se abotoa até ao fim. (pág. 314)

Obras escolhidas de Goethe, volume cinco, Máximas e Reflexões

Comprei este livro há demasiado tempo para nunca o ter lido.

Esta máxima despertou-me alguns sentimentos, como por exemplo o fascínio pela caixa dos botões da minha infância. parece-me porém algo tirana. uma espécie de gargalhada que antecede a seriedade. a impossibilidade de voltar atrás, se bem que por outro lado pode implicar a esperança evasiva de um recomeço pueril. podia ter graça um concurso televisivo ou radiofónico sobre máximas inventadas ao minuto. isso e aquele programa de inventar letras alternativas para músicas. podiam-se usar um pouco as palavras em vez das imagens. precisamos de descansar os olhos das cores.

coisas que não interessam para realmente nada

depois das férias de Verão (que já tive) começa-me logo a apetecer o meu doce, forte, avassalador, confortável, desconfortável, arrebatador, ternurento, familiar, tranquilo, doméstico, bilateral Inverno.

estou ansiosa por só voltar a limpar os vidros na próxima Primavera.

a isto se chama uma coisa engraçada

se eu não tivesse tanta fome, podia dizer se afinal acho que existem ou não muitas coisas engraçadas.

mas esta é uma coisa engraçada, que eu sei.

(olha, era tão engraçada que fechei a janela tem ter feito copy do link. sempre ouvi dizer que não se brinca às refeições.)

migrar para lá

a vontade de ir uns tempos para fora volta a atacar. hoje dei por mim a desejar morar lá fora, num sítio onde as pessoas não tenham medo de ser ridículas. deve ser tão libertador. não existir gente com medo de pisar caca, ter macacos no nariz, ter a madeixa fora do sítio ou o casaco do vizinho não condizer exactamente com o tom a camisa.

e nem digo isto porque não tenho mais nada que fazer nem nada, não, é só mesmo a vontade de morar noutro sítio, de ter uma vida noutro sítio durante um período de tempo. deixar esta em pause e experimentar outra, acabando sempre com o bónus do conhecimento e da experiência.

mas o que é que eu fazia ao gato?

modas

anda aí um surto de venda de óculos para ver ao perto. eu receitaria, por todas as razões e mais alguma, óculos para ver ao longe. nada nos faz mais falta que voltarmos a ver mais do que os 30 cm que vão até ao nosso umbigo.

porquê farmacêutico

porque é que os farmacêuticos têm sempre mais apelidos que as outras pessoas?

música do dia: The National - Fake Empire

aqui.

música do dia: Bright Eyes - Old Soul Song (For the New World Order)

esta aqui.

não há necessidade

nunca ser cabra é a mesma coisa que ter férias no Verão e não ir um único dia à praia.

a noite do 15 de Julho - Torre de Belém

o que fica dos concertos do Palma é uma alegria cá dentro e uma vontade de continuar o caminho, mas com mais alento e motivação. e ficam na memória os momentos de harmonia com todos e todos com o universo e a verdade disfarçada de ser possível termos dias destes seguidos e de que as noites podem ser eternas pelo tempo que quisermos e o vento e as pessoas e a alegria cá dentro, sem origem aparente. deste concerto fica essencialmente aquele arrepio da espinha do enquanto houver estrada pr'a andar, a gente vai continuar cantado em uníssono 40 vezes, guiado pelos tambores fabulosos dos Toca a Rufar, as palmas, todos de pé, os sorrisos e a brisa de uma madrugada a começar. todos os textos seriam tolos para descrever o bem que me fez, me fazem, os concertos desse senhor, o Jorge Palma.
uma excelente iniciativa, portanto.

cúmulo da beleza

era uma mulher tão bonita, mas tão bonita, que estragava tudo quando punha um bocadinho de rímel.

conto para adultos

as férias são uma espécie de maçã envenenada. podia inclusivamente existir um conto para adultos baseado nesta frase. existem contos para adultos?

o Verão

o Verão é a estação presunçosa, por oposição ao Inverno complacente. no Verão temos de nos divertir, porque há sol, praia, férias e aquela premissa errante de que se dão mais gargalhadas. no Verão somos mais inquietos, porque se nos apetecer não sair de casa, significa que não estamos bem, porque é Verão, devíamos sair, devíamos aproveitar.

fé gramatical

espero que o artigo definido da palavra cotonete não seja a. a sério.

agora Lisboa tem um centro, um núcleo

a tristeza existe assim como um fiozinho de azeite. escorre devagarinho e vai invadindo as superfícies que encontra. ao longe pode não se ver, mas faz nódoas ou incrusta-se, por exemplo, nos buracos das cadeiras de verga. estar triste é diferente de estar aborrecido, porque não nos importamos de sorrir, apesar de nos sentirmos ainda mais esquisitos.

na busca da tampa do azeite, entra-me este súbito mar de girassóis pelos olhos dentro.

as tampas de azeite podem ter os formatos mais inesperados.

música do dia: Voxtrot - The start of something

tinha no telemóvel uma nota que dizia precisamente: Voxtrot - the start of something. não me lembro onde ouvi, mas confirma-se que é uma música genial. e está aqui.

Vergílio Ferreira - Alegria Breve

- A vida é estúpida, Ema, não tem "porquê". Os actos essenciais da vida realizamo-los com os olhos fechados: o prazer da boa música, ou da boa mesa, ou o prazer amoroso, ou a união com Deus. Até mesmo, se quiser, o próprio descomer. Tudo o que é essencial é cego. Fechamos sempre os olhos. É por isso que no-los fecham quando morremos, se os deixamos abertos. (pág. 129) - Vergílio Ferreira, Alegria Breve

há coisas tão comoventes que até faz impressão

gosto de jacarandás

[se tivesse tempo suficiente, aqui estaria uma imagem doce, sumarenta e arroxeada de jacarandás.]

leituras - Augusto Cury

Dominamos a tecnologia que nos permite viajar para outros planetas, mas não a tecnologia que nos permite conquistar o espaço onde nascem a timidez, a ansiedade, o medo, a coragem, as frustrações, o mau humor, a angústia, os sonhos e o encanto pela vida. (pág. 10)Blockquote
Adquirimos diplomas para actuar no mundo exterior, mas somos demasiados frágeis para liderar o mundo psíquico. Temos tendência para ser gigantes no mundo profissional, mas crianças no território das emoções e dos pensamentos. (pág. 81)
.. principais pérolas da Inteligência Multifocal: a arte da dúvida (pérola da Filosofia), a arte da critica (pérola da Psicologia) e a arte da deteminação (pérola na área dos Recursos Humanos). (pág. 106)
Augusto Cury Seja líder de si próprio O maior desafio do ser humano

estupefacção

só para dizer que, mais dia menos dia, o pão espanta-nos e cai com a manteiga virada para cima.

que bem que ali ficava uma cadeirinha de baloiço

. Summer Evening - 1947 private collection.
estes princípios de noites quentes fazem-me sempre lembrar os quadros do Edward Hopper, que na realidade era um existencialista dos grandes, digo eu. o melhor pintor retratista da beleza desse grande palco que é a mundanalidade, em toda a sua ugliness, banality, and beauty.

um dia importante mas pouco digno

passou o serão a reunir escritos porque pensava que podia ser escritora. reunio 14 páginas e o computador emprestado hibernou sem pedir licença. era tarde. o serão tinha-se cansado de esperar e partiu para o dia seguinte.

Rio Mondego

cansar a mente faz-nos o corpo pesado, cansar o corpo faz-nos a mente leve. não há semelhanças entre si.

A8

a melhor fruta

Verão como ele é

o calor tem em mim um efeito acre. pico, explodo.

conclusões

uma das razões porque detesto religiões em geral, é porque cega as pessoas em vez de as iluminar.

H2OTEL

como existem os dicionários, deviam existir uns manuais do que fazer em situações em que perdamos a noção cardeal, a nossa bússola do certo e do errado. esses manuais funcionariam como uma espécie de enciclopédias do saber viver, e como complemento após breves descrições, teria uma imagem que nos ilustrasse imediatamente o que fazer (uma mistura entre livro de primeiros socorros e manual de instruções dos aparelhos eléctricos).
neste caso concreto, o indivíduo estaria debaixo da nuvem e provavelmente estaria a lamentar-se por tamanho infortúnio. a descrição / solução apresentada, seria algo como: a) pode deslocar-se para outro sítio em que já não seja atingido pela sombra, b) pode aproveitar para regar as couves, c) pode descer um pouco até ao H2OTEL, vestir o robe branco, deixar-se levar pelo ambiente zen e dedicar o dia às suas profundezas.

para Norte

parece-me que estar na mó de cima, não é mais do que isto.

a neutralidade

talvez fosse mesmo tudo mais fácil se todos os fotógrafos fossem distraídos, os médicos deprimidos, os advogados impostores, os marketeers betos, os camionistas rebarbados, as cabeleireiras ocas, as massagistas lésbicas, as modelos drogadas, os comerciais iletrados, as professoras sonsas, as enfermeiras frustradas e os farmacêuticos boas pessoas. assim saberíamos sempre com o que contar.

Feast of love

There is a story about the Greek gods.
They were bored so they invented human beings.
But they were still bored so they invented love...
Then they weren't bored any longer.
So, they decided to try love for themselves.
And, finally.. they invented laughter...
So they could stand it.

um brinde ao domingo

barriga cheia de torradas, televisão livre do lado esquerdo, roupa do lado direito. atrás almofada, em frente a luz da tarde. o g. dormiu a tarde toda em cima do sofá. continua. apetecia-me praia, mas não me apeteceu ter de enfrentar o mundo inteiro para chegar à praia e ainda conseguir arranjar estacionamento. casa e melancia cortada com a colher dos gelados. domingo. chin-chin.

Domingo de porta aberta

Como ele sempre dissera: o rio e o coração, o que os une? O rio nunca está feito, como não está o coração. Ambos são sempre nascentes, sempre nascendo. Ou como eu hoje escrevo: milagre é o rio não findar mais. Milagre é o coração começar sempre no peito de outra vida.
Mia Couto, A chuva Pasmada

CCB - Museu Colecção Berardo

é sempre bom lá ir, lá estar.
&
o melhor: Casal dos Olhos diz o autor: Tínhamos comprado uma casa na Eugaria, mas depois vimos que não tinha estrada e decidimos comprar outra casa mais abaixo que tinha acesso de carro para fazermos lá garagens. Tudo isto em 1972. A casa é super saloia, com olhos para nos proteger do mau-olhado.

também me comoveu o conceito da cidade maravilha: Às vezes passeio entre os edifícios deste campus com um amigo. Divertimo-nos a discutir como esses espaços podiam ser electrificados e articulados entre si por presenças escultóricas e murais de cores vivas, transformados de espaços meio abandonados em locais únicos e altamente intensos. A água, que é como a intuição, está estagnada e podre. As luzes, que são como a imaginação, estão fundidas e desligadas. As cidadelas do estudo e da aprendizagem são como cidades cercadas. O inimigo nunca chegou. Foram os próprios cidadãos que envenenaram a água. Foram os próprios que se esqueceram de como se acendem as estrelas.

Pancho Guedes, Universidade de Witwatersrand, Agosto de 1975

Pavlov e a resposta a estímulos

boarding..
[às vezes uma palavra basta.]

cd do dia

mas há alguém que não goste de ouvir Nina Simone?

os tomateiros não tinham água suficiente

as folhas começavam a ficar secas, era evidente que os tomateiros precisavam de mais água.

entrou naquela sala improvisada. as mil colunas vibravam ao som de uma orquestra. sentou-se no sofá e esqueceu-se que não estava numa sala de espectáculos, mas lembrou-se de como bebia aquela música com sofreguidão e os olhos lhe eram pequenos para os pormenores daquele ecrã improvisado. percebeu que previsava de se encher de cultura, que a sede é ainda maior quando se bebe um pequeno gole.

em busca do genérico perdido

a ideia era escrever sobre este site http://awkwardfamilyphotos.com/. as famílias talvez possam ser hobbies.
.
há muito que procuro o genérico dos desenhos animados cuja música tinha uma letra, algo assim:
num microscópio gigante,
vi uma célula muito original
uma célula ainda insignificante
chamada óvulo porque é oval
e à volta delta volteavão
os minúsculos asteroídes
os pequenos seres que agitavam,
chamados assim: espermatozóides.
(..)
e o bebezinho ia crescendo
no seu bercinho dentro da barriga..
(..)
quem é que nos, explica isto.

brigadeiros, a quanto obrigam

também há uma fase em que, coitadinhos, temos ideias desnecessárias, como a de fazer brigadeiros. mesmo assim, a pior ideia talvez tenha sido dizer a outras pessoas que ia fazer brigadeiros.
nunca tive grande jeito para brincar com plasticina.

ser saudável

há uma fase da vida, em que deixa de ter graça ser guloso. aliás, deixamos de ser gulosos, para termos apenas os níveis de serotonina baixos, o que socialmente pode indicar imediatamente que somos tristes, embora eu sempre tenha visto os gulosos como pessoas alegres.
por outro lado, e como no Principezinho, se começar a ficar contente só de pensar que posso comer uma bola de berlim, mas só a comer passado um mês, ando um mês a criar uma alegria crescente, que é multiplicada pela outra metade que fica contente por não a comer, o que por defeito resultará em alegria.

o lado humano do morango

hoje a meio da tarde, apeteceu-me criar um blogue campestre. ter este lado como tempero. ou poderia ser um blogue sazonal. começo por dizer que os morangos, tal como os humanos, dão recém-nascidos feios.

é giro, é natural - 1

essa imagem

sempre que viajo, levo as roupas mais velhas e usadas. a ideia? estar à vontade, não ter medo de sujar, romper, estragar, ser roubada. um conceito puramente libertador, porém, penso agora, terei daqui a décadas uma imagem enviesada nas fotografias? quem lá verei?

nós = sós

é impressão minha ou estamos a tornar-nos sozinhos? um mundo de gente sozinha. poético mas infrutífero.

passamos os dias enfiados nos ecrãs dos computadores, depois saímos e enfiamo-nos nos carros, depois enfiamo-nos em casa, depois na casa de banho, depois na cama.

e há uma estranheza quando se combina qualquer coisa. não há assunto. não temos tempo para viver e portanto não há nada para partilhar a não ser o trabalho, do qual nos tentamos esquecer nas poucas horas em que não lá estamos. então ficamos a olhar uns para os outros, com caras vazias, praticamente sem sentimentos mútuos, já.

mas não há forma de contornar nada disto.

deixaremos de ser nós, para sermos sós.

coisas estranhas de deixar Lisboa

placas a indicar Lisboa.

o peso dos cromossomas

eu dizia-lhe alto e em tom enfurecido, quase estridente: e eu vou-lhe dizer que eu não estou para aturar isto, que não concordo, que não pode ser, que era o que mais me faltava, que não admito..

e ele disse-me, na sua sabedoria natural de homem: o teu problema é centrares tudo em ti. analisa fria e distanciadamente e diz-lhe: acho que isto funcionaria muito melhor se.

calei-me. pensei. agradeci-lhe. continuámos como se nada fosse.

às vezes tenho tanta vergonha de ser dos XX, esses cromossomas.

mas afinal, ó rui

onde é o país onde fumam as cigarras?

passeio virtual no hipermercado

tivesse eu tempo para me desviar de todas as prateleiras.
conseguir ter tempo. para me endireitar, pensar e escolher antes seguir pelo corredor. sigo como um animal. saim-me da frente que eu preciso de viver tanto que consiga ter finalmente algum tempo para continuar o esboço daquela pessoa que nasceu há anos dentro do meu corpo e que petrificou à espera que lhe peguem novamente.
preciso de um bocado de tempo para mim. estar sozinha. ouvir-me. o som das minhas entranhas. olhar em redor e não ver ninguém. n-i-n-g-u-é-m.
tenho tantas saudades minhas.

Carl Orff - Gassenhauer

hoje não é um dia comum, porque hoje descobri esta grande música, que há tanto tempo procurava.
há poucas tão brilhantes como esta.

comida

os tomates são uma fruta sincera: quando estão bons por fora, estão sempre bons por dentro.

teoria da maturação

não conseguimos parar o vento, mas podemos sempre tirar o cabelo da frente dos olhos.

anacronismo

tudo na minha vida tinha mais sentido se tivesse nascido 10 anos antes. sinto que cheguei tarde, que perdi o comboio, que a festa acabou mais cedo, quem são estes? faltam-me as pessoas da minha altura. as que não conheci porque cheguei tarde.

os dias como poesia.

lamento que.. I

a matemática é uma espécie de estória verídica que nunca foi bem publicitada.

regresso

foi tão bom. passou tão depressa.
trouxe ideias e projectos e cabeça mais leve.
estou preparada para o Inverno.
(quem quiser imagens, tem no flickr.)

agora sou eu!

preciso tanto de espairecer, apanhar ar, ver um bocado do mundo. cá vou.

de x a y

para viver bem, basta manter este gráfico equilibrado.

em vez de espelhos tínhamos um ecrã sonoro que, como a meteorologia, nos avisava que podíamos ir de manga curta, apesar de depender de nós levar ou não o chapéu de chuva.

faltas

tenho falta de estar sozinha, falta de silêncio, falta de ar, falta de me ouvir a respirar, falta de esticar os olhos e olhar para longe e principalmente falta de não ter sempre alguém a olhar para mim. depois tenho falta de ouvir o meu corpo e de falar com ele.

sinto-me no Big Brother.

interacções humanas

devia ser feito um teste diagnóstico às pessoas que se têm de cruzar no caminho umas das outras. não haver compatibilidade devia ser um motivo e regra de ruptura da interacção, como é não colocar água no vinagre para beber às refeições, porque sabe mal. a única alternativa plausível que encontro, é mesmo ser necessário resolver assuntos com essas pessoas e ter de gramar com elas e elas connosco até ultrapassarmos esse nível.

à procura do copo meio cheio

esta música não paga os 90€, mas vá, ajuda:

Obrigada!

Obrigada ao senhor ou à senhora que me rebocou hoje o carro. sem vocês seria difícil chegar a casa às onze da noite! obrigada por terem construído a bola de neve deste serão que decorou o resto de um dia fabuloso de alegria. obrigada por me terem atrasado nos compromissos pós emprego, por terem feito com que perdesse a oportunidade de comprar leite e fruta para o pequeno-almoço de amanhã, obrigada por terem feito com que jantasse uma pizza oleosa e cara. obrigada por no final não haver estacionamento à porta de casa. obrigada por tudo. obrigada por me corrigirem dessa vil acção de estacionar o carro. caraças pá, com tanto sítio para escolher, fui logo estacionar num parquímetro que até hoje não estava em funcionamento. para a próxima era simpático avisarem que era o dia da inauguração. na volta tinha levado uma vinhaça para comemorarmos juntos. mas obrigada por esta noite. obrigada pelos 90€ e menos. sem vocês este dia não teria sido o mesmo. obrigada.

espirro verniano

vi este filme ontem e apercebo-me hoje que foi como um espirro: dois segundos de duração em que as cócegas no nariz dão vontade de rir e depois nunca mais nos lembramos que alguma vez aconteceu. se calhar tem a ver com os actores terem caras de desenhos animados.. ou então de um miúdo de 13 anos correr à frente de um dinossauro T-Rex e conseguir escapar...

relação causa-efeito

É bom adormecer no sofá. É mau acordar no sofá.

mar adentro

este filme sabe bem. não tenho tempo para falar disto, e não tive tempo de o saborear como me apetecia, pela noite dentro. a vida real passa o tempo a tocar à campainha. é assim. num momento amamo-nos, somos cúmplices e julgamos uma amizade eterna e no instante seguinte reparamos que temos dificuldade em nos lembrar do nome da pessoa. somos criaturas perecíveis e tudo à nossa volta é ainda mais efémero e neutro. as relações interpessoais valem o que valem num momento. ponto. acharmos que somos importantes, especiais, inesquecíveis é uma tremenda ofensa à própria natureza. é, nada se perde, tudo se transforma. nada é eternamente importante. nem nós. nem os outros.

à volta de tudo isto sim, pode-se decorar com umas flores perfurmadas, endireitar com cuidado a ponta que ficou torta, regar com água, colar um postal a condizer e até fazer uma letra especialmente redonda com bolinhas nos i's, mas no fim, é tudo cru.

gostei muito.

boneca de trapo

começo a desconfiar que nunca vou dizer: agora sim, estou bem. ou olha que boa fase! ou até mesmo viver faz bem! esta minha inquietação e absoluta revolta pelas desigualdades não me serve para mais nada do que para me bofetear a mim própria, mas ainda assim, existe. porque raio gostaria eu de viver num mundo pleno de injustiças, cobardias e gente feia? não gosto, não gosto, não gosto. na maior parte dos dias recuso-me a participar, nos outros sou mesmo obrigada. e depois fico em baixo, a sentir-me usada. um trapo.
(grande estória, hein?)
hoje vi magia na praça do Camões. não o vi lá, mas é bom ouvir outras línguas e ver tons de pele diferentes. sempre dá para imaginar que estou de férias..

a vida dos outros

A minha vida sem mim é um filme que usa o ser humano como se fosse um saco do lixo, o que de um prisma técnico é difícil de engolir. uma rapariga jovem com duas filhas, descobre que lhe restam apenas dois meses de vida, decide não dizer a ninguém, faz uma lista do que gostava de experimentar antes de morrer e coloca a sua lista em prática até ao dia em que morre. um dos ítems é encontrar uma nova esposa para o marido e arranjar um amante, para saber como é. custa ver como existem sempre tantos lados, tantas faces, tantas hipóteses. é fácil apaixonarmo-nos por todas as personagens e torcer por todos. é um filme cruel e belo. é a vida. gostei muito.

cá em casa o despertador é a música "Acupunctura em Odemira":

Ainda bem que é verdade
Ainda bem que é mentira
A acupunctura em Odemira
Ainda bem que há quem viva
Em Odeceixe
E se peide à vontade

Breve dissertação da elementaridade da composição humana

Acabei neste presente dia, uma teoria de valor irrefutável para a parcela da humanidade interessada em questões de carácter maioritariamente psíquico. Há que desconfiar sem perdão de todas as pessoas que afirmam em algum minuto da sua existência sou muito franco, muito sincero. Escrevo esta breve dissertação à luz da minha demorada pesquisa empírica e assento as minhas conclusões unicamente numa base: estas pessoas são as maiores rádios-alcatifa dum raio de 47 m2. Recentemente, vá.. hoje, terminei este temível estudo de antropologia cultural que divulga tamanhas informações: bastam três dias para sabermos com que tipo de gente lidamos. Depois da pessoa se descontrair suficientemente, de forma a expressar opiniões, as suas primeiras frases bastarão para se perceber os seus principais defeitos. Vejamos, se uma pessoa fala em relação a outra que é mentirosa, trata-se por certo de uma pessoa impostora, não conseguindo o seu consciente abstrair-se desse facto, revelando-o de forma directa como se fosse suor que precisa de sair do corpo para o arrefecer. Somos básicos, é o que é.

Olá!

Ando à procura de sentido para a vida, mas não o encontro em lado nenhum.
Se o encontrarem digam.
Aceito sugestões.
Obrigada.

flickr me

apartir de hoje, faço parte do Flickr.
apeteceu-me.
tenho sempre aquela sensação de exposição desnecessária, mas logo se vê.

a vida acontece ao fim-de-semana

foi uma viagem inteira de máquina na mão, com o cérebro focado para: árvores-giras-a-sobressair-no-amarelo-torrado. foi muito difícil. o caminho de volta é mais proveitoso, a luminosidade é que nem tanto. a luz é sempre mais bonita para sul, não é? tenho enfiado as minhas vontades de existir dentro da malinha que é o fim-de-semana. no resto do tempo pisco os olhos e vêm-me frames destas, como se fossem aquelas máquinas fotográficas com imagens dos três pastorinhos. tenho sono. passo a vida com sono e com vontade de ser alguma coisa engraçada. acho que nunca vou ter tempo de cumprir as minhas principais vontades.

não, não e não!

não gostei. adormeci ao fim da primeira hora dramática e cheia de gritos. estava cansada da semana e dormi em todas as posições daquela última fila. acordei várias vezes com os berros daquelas personagens. só me apetecia dizer asneiras. vacas. calem-se. meus ricos 5€. mas aquilo não terminava, adormecia e acordava e já tinha os braços dormentes e depois o homem corria atrás da mota e corria e ouviam-se os passos dele e a respiração, e o estúpidos dos miúdos riam-se e eu só pensava: devolvam lá a mota ao velho para isto acabar. olhava para o X. e ele estava claramente envolvido naquilo, o que significava que tínhamos de ali ficar até ao fim. e o fim lá aconteceu, ouço as cortinas a abrirem-se e percebi que era agora, aquilo ia acabar como uma estória de 6 quadradinhos e eu não tinha perdido nada durante o sono.

o tamanho importa!

tenho uma mala tão grande que os taxistas consideram como um suplemento de 0.80€.

nos transportes públicos

pior que as atitudes animalescas das pessoas, só os seus perfumes.

bicho no pão

acabei de passar por um episódio sem definição. fui jantar a um restaurante, comi até reparar que havia um bicho a passear-se por cima do pão e entre o resto dos alimentos. olho duas vezes, páro a olhar, paramos a olhar. o bicho está relaxado a passear entre a comida e até me vem à cabeça as pessoas a andar nas motas de quatro rodas vistas de cima. quando se fartou da superfície, enfiou-se por uns buraquinhos que provavelmente ele e a família já tinham antes feito no pão e desapareceu. decidimos avisar o empregado, e se até aqui a situação é suficientemente absurda e inaceitável, o que se passou a seguir não tem explicação possível. algo como:
- olhe desculpe, há um bicho a passear-se pela comida..

- ah pois, peço desculpa, realmente temos ali uma infestação na cozinha...

- (ponto de interrogação e exclamção dentro das nosssas cabeças..)

- temos tentado evitar isso, mas tem sido complicado... até temos dois focos mas mesmo assim continuam a aparecer....

ok, chegámos a um ponto de pura estupefacção, mas ainda estava para vir a melhor parte:

- querem comer mais alguma coisa?

arejar, s.f.f.

deixei as tensões lá para Coimbra, na descida do rio Mondego. podia fazer isto todos os dias. é engraçado observar que tendo dias tão humanamente redutíveis, quando temos um dia agradável e verdadeiramente nosso, ficamos histéricos como os miúdos quando são muito pequeninos, lhes sopram para a testa e eles começam a dar aos bracinhos, muito felizes.

cumprir-se

não entendo que não se goste de acampar.
acampar é viver bem, é estar perto, é cumprir-se, ouvir-se. é ser.

tipos de pessoas

às vezes encontro pessoas bonitas. no meio dos outros, pequenas pessoas que me chamam a atenção e que são tão bonitas nas suas posturas e feições. não me importo que vejam que estou a olhar para elas, são bonitas e só me apetece dizer-lhes. comandam os seus movimentos, graciosos e firmes, são perfeitas nas suas vestes e nas suas decorações. perfumam o ar e encantam-me, depois desaparecem e os meus gestos parecem-me ainda mais descordenados. há pessoas trapalhonas. há quem goste mais das pessoas trapalhonas.

chip

Chateia-me profundamente esta visão para a alegria só porque estou viva. Conseguir o máximo de tempo alegre, conseguir sorrir o mais tempo possível, ser o mais feliz dos humanos. Não. Ninguém me perguntou se queria jogar. Não quero. Já que cá estou sem pedir nada a ninguém, estou como me apetece. Se me apetece chorar, choro e não é por ser feriado e ser dia de diversão que não o vou fazer. Também não percebo que chip é este que nos meteram dentro, que se emociona exageradamente por outra(s) pessoa(s). Depois chamaram-lhe amor, como se não fosse apenas uma amarra desqualificada e profundamente sem sentido. Depois fazemos equipa. Agora fazem equipa. Agora vivem em comunhão. Agora amam-se. Agora entendem-se às mil maravilhas. Gostava tanto que fôssemos como os outros animais. Se não sabem o que é a felicidade, também não sentem a tristeza. Parece ideal. Vivem cá como nós, mas menos tempo e sem saberem o que se espera deles. Apenas vivem. Desola-me esta prega no meu coração, como se estivesse mesmo ferido, como se alguém o tivesse beliscado e apertado como eu faço aos tecidos para ver se a roupa é de se amarrotar. Dói-me e não me apetece que me doa. Estou impotente para com os meus próprios sentimentos e não acredito que alguém goste de sentir isso. Por outro lado, se estou no meio do jogo mas não pedi para jogar, também seria normal não me importar minimamente com os meus passos, como quando se joga ao Monopólio mas se está com uma bebedeira de sono insuportável e se vende a Rua Agusta e o Rossio só porque nos pediram duas vezes. Mas não, o chip faz com que nos importemos, com que sofremos e lutemos por coisas que sentimos. É uma luta constante, o que sinto e o que sou e que quero fazer e o que quero ser e que não fu e o que devia ser. E o chip a apitar, o coração que aperta e estala e desfaz-se mas o chip não se desliga e a cabeça explode em desânimo e desespero. Onde é a saída? Posso ir fazer xixi? Posso ir para casa? Posso ir?

momento retórico

dentro da gama pêssegos, toda a gente prefere os que largam o caroço, não é?

dos cadernos para o blogue I

piada meteorológica

"que seca!" :P

frango assado

acabei de escrever uma estória gira sobre um frango assado, um senhor e um autocarro e o blogger acabou de a apagar. fica a conclusão: o blogger não gosta de frango assado.

1 dia x 5

Quarto, casa de banho, escritório, cozinha, porta da rua. Porta da rua, escritório, quarto, casa de banho, cozinha, escritório, casa de banho, quarto.

Live - Run to the Water

está aberta a época balnear. uns dias mais que outros, é certo, mas um mergulho e uma tarde de sol curam dias e dias de neura e tormentos e outras eventualidades. estava ali, com os pés na areia passados tantos meses de abstinência, a água azul e calma, a decisão tomada antes de sair de casa, que não há água fria que me detenha. avanço. do que me lembrava enquanto caminhava alegre de encontro ao mar como se fosse uma tartaruga acabada de nascer? run to the water, and find me there, burnt to the core but not broken..

compras

não sei se é pela conjuntura pouco favorável da minha conta bancária, mas cada vez me dá menos prazer comprar. e quando digo comprar, não são sapatos, roupa ou perfumes mas sim qualquer bem ou objecto que não seja necessário ou que não me vá trazer uma satisfação suficientemente forte e compensadora. quando compro já não sinto a realização temporária do adquirir mais, do ter mais, a alucinação momentânea do ser melhor. agora olho para os sacos e sinto-me quase ridícula e com uma pergunta em espera dentro da cabeça: porque utilizamos o dinheiro que ganhamos em coisas cada vez mais inúteis?
ps - tinha este post em draft há algum tempo. hoje, ao ler isto aqui, decidi que era o dia para sair cá para fora.

alvorada

hoje quando abri a janela, houve um fusível que disse assim: acampar.
o meu cérebro gosta de mim.

Fairground Attraction - Find My Love

uma das músicas da minha vida é Simple Soul da Eddi Reader, mas só hoje descobri que ela é a voz dos Fairground Attraction. eis, a música do dia:

Museu da Carris

porque é que os portugueses não visitam os seus museus? não pode ser por ser caro, mas talvez pela tal cultura do povo, os 2.5€ que se preferem gastar no parque de estacionamento da superfície comercial mais próxima. é o caminho mais fácil, a escolha do não pensar. enfim. os actuais eléctricos amarelos são lindos, mas os autocarros verdes de dois andares com rodas de tractor eram um espanto. e perdi-me nas fotografias antigas, por volta de 1900, quando as ruas eram largas, os candeeiros eram pequenas obras de arte e se despediam pessoas simplesmente porque eram pouco agradáveis com os clientes. não faço ideia das questões logísticas e financeiras que implicariam que Lisboa tivesse, nos nossos dias, um ar e um estilo mais peculiar, mas acho que era possível.

confissão

nunca como bolo de chocolate fora de casa porque imagino sempre que levou copos de óleo. possivelmente há muitos outros bolos que levam óleo e eu nunca me queixei, mas esta hipótese deixa-me profundamente enjoada. não percebo porque há necessidade de pôr ÓLEO em bolos, nem mais de 3 ovos ou mais de 100 gramas de manteiga. as pessoas complicam.

pronto, já chega!

a meteorologia parece-me aquelas crianças chatas, que depois de se fazer uma vontade, passam o resto do tempo a dizer: outra vez!! outra vez!! outra vez!! e nós dizemos, não, já chega, estou cansada, mas elas desatam a chorar, a berrar e a transformar aquele dia num inferno insuportável.

Anousheh Ansari

é hoje que falo disto. Anousheh Ansari foi a primeira mulher turista espacial, em Setembro de 2006 e tem um ar deliciosamente realizado e feliz. tenho-me sentido a Ansari da terra, com os dias a passar por mim e eu a sentir aquela leveza que se vê nos vídeos dela. uma demora constante em tarefas simples, o som distante e mecânico de fundo. um embalo lento, lento.
Quem quiser alienar-se um bocado, pode entrar neste site ou ver alguns dos vídeos disponíveis, por exemplo, como escovar os dentes no espaço:

brincar

finalmente tenho paredes vermelhas em casa. os sonhos mais importantes de realizar, são os de criança. os outros já são fermentados. também brinquei com rãs. sou ridiculamente fácil de satisfazer.

precaução: asneiras em maiúsculas

como se sabe, um blog não serve para falar / desabafar, a não ser que sejamos trolls. um blog só serve para escrever qualquer coisa mais ou menos importante e ver os comentários no final do dia. é um mimo nascicista-virtual. não tem mal. como não devo escrever com as palavras e as vírgulas todas o que me apetece dizer, porque apesar de ser troll sou parva e cheia de minhocas no cérebro, e como já ninguém cá vem, pode ser hoje que fica registada a carga de poder e de leveza que só uma asneira dita com fôlego e balanço proporciona à espiritualidade de um indivíduo. acredito que há males que se desvanecem a asneirar. é um paradoxo proporcional, diria eu. este é um dos poucos grandes prazeres a que os pobres têm acesso. assim, quem sabe para afastar demónios e piruetas mal feitas, hoje, é com grande alegria e até discernimento que escrevo a seguinte palavra: FODA-SE.

fazer praia

este ano estou tentada a uma coisa diferente. nos outros anos, costumo ir para a praia, tomar uns banhos salgados, torrar um bocadinho, brincar na areia, jogar raquetes e comer gelados. este ano decidi inovar, vou fazer praia. assim, armada de picareta, cimento e tijolos, capacete e sinalização. chego lá ao meio do areal, e começo a fazê-la. depois serei fashion.

Stellet Licht

um filme sem música. quase em câmara lenta. pessoas com corpos diferentes dos que estamos habituados a ver nos ecrãs. pausas longas entre diálogos. um homem de uma família tradicional de uma pequena comunidade que se apaixona por outra mulher. o que faz um ser humano gostar de outro? consegue-se aprender a gostar?
uma ficha técnica silenciosa.
o som irritante do casaco de plástico da mulher que estava sentada ao meu lado.

tic tac - Lisboa ao entardecer

dia bom, dia mau, dia bom.

Oioai - Deves estar a chegar

alegra-me a voz do vocalista, a batida suave e o tom leve e quase infantil das letras. estou a sair do trabalho, é Sexta-feira à tarde, Verão, ouço-a num engarrafamento sem fim. não me importo nada. o sol em frente não me aborrece, nem a camisa colada às costas. devias estar a chegar, estiveste tão longe e agora deves estar a chegar. deves estar a chegar, deves estar a chegar, deves estar a chegar..

amigos balneares

lembro-me dela, unhas muito compridas e arranjadas, levantava as pontas dos dedos o mais que conseguia por causa da areia. sempre que chegava à praia, arrumava escrupulosamente os chinelos com uma perícia quase minuciosa, para que ao entardecer estivessem prontos para calçar, como se ficassem à sua espera. lembro-me de reparar nos pormenores dela, tão diferentes dos meus, e hoje, mais de dez anos depois, pergunto-me como será a sua vida.

August Rush

meço os anos pela forma como reajo. não chorei, já sou mais crescida. acabei de ver este filme e a melhor metáfora que me ocorre é esta: sabem quando éramos pequeninos e faltava a electridade em dias de temporal? passava-se o tempo numa dimensão romântica e doce, inventavam-se estórias e de repente havia um clique e a luz fluorescente magoava os olhos, ouvia-se novamente o motor do frigorífico e a vida voltava ao habitual. mas não fazia mal, tinham sido horas saborosas.

teoria aplicada

as gotas de água saíam disparadas dos círculos do chuveiro. mesmo que quisesse, não as poderia contar. qual é o máximo de gotas que podem cair de um chuveiro? quantos erros se podem cometer? porque se cometem os erros, como se fossem crimes? serão crimes? com os erros aprende-se, mas e se existirem mais erros que lições? quantas gotas de água saíram já daquele chuveiro? quantas estarão por sair? quantos erros?

conclusão bloguística

há blogues absolutamente deliciosos com fotografias lindíssimas, ideias, emoções, beleza. adoro ler, saber, descobrir, aprender, mas permaneço aqui na fronteira semi egoísta de ver sem mostrar. tenho pena de não achar vantajoso expor-me dessa maneira, porque gosto de partilhar a vida com os outros. esta dualidade centrada na decisão do melhor caminho, às vezes sufoca-me um bocado porque penso que com tanto travão, nunca viverei a minha vida, aquela em que devia usar a chapa até a gastar. num dos primeiros episódios do Six Feet Under, ouvi uma frase que me persegue até hoje: não quero ser uma pessoa, que nunca ninguém saiba que fui. imagino que aconteça muitas vezes. e imagino que nada se ganhe com isso, a não ser aquele conforto que o aceitável usual nos proporciona.

regra número um: areje.

há palavras bonitas como alvorada ou sardinha. areje é uma palavra feia, mas acaba onde começa janela. arejanela. as janelas devem ter sido inventadas para que as casas tivessem luz durante o dia, e acredito que só mais tarde se descobriu que também serviam para as arejar. as cabeças não têm janelas, há quem diga que são os olhos, mas pelos olhos não sai ar. ainda assim, as cabeças precisam de arejar. abre-se o cérebro e põe-se o túnel das ideias virado para o vento. espera-se um bocado e fecha-se. se estiver arejado, vir-lhe-á imediatamente à cabeça uma serra e um tronco de madeira, se não estiver arejado, verá apenas uma pedra da calçada e um isqueiro. é só isto.

mente / marioneta

o poder psicológico é desmesurado, e percebo isto enquanto empacoto os meus diversos sentimentos, como se fosse mudar de corpo. sei que estou na pior fase da minha vida, sei que não me sinto bem, sei que quero desaparecer para sempre e depressa, mas por outro lado, também sei que é uma fase, irá passar, e quando passar, vou ser alegre e contente como nunca, precisamente porque nunca fui tão infeliz. porém, se eu sei quanto pesa a minha infelicidade, porque não consigo convertê-la em alegria adicionando açúcar, aos bocadinhos, mexendo bem? mesmo tendo vagos momentos lúcidos, tudo o que a minha cabeça me deixa fazer é amarrotar o vestido e prostrar-me. concluo que a minha mente manda em mim, assim, sem mais nem menos, sem autorizações ou leis, e eu não passo de uma marioneta nas suas mãos. e acho um aborrecimento, que eu podia fazer coisas giras no entretanto. e claro que pensei se devia escrever isto assim desta maneira, mas não vejo porque não. estar triste, ainda é legítimo, acho eu.

o nosso mundo

podia dissertar sobre o assunto, mas depois fico demasiado mal disposta e não há necessidade, no entanto, tenho que falar sobre as pessoas patéticas que para questões de recrutamento ainda utilizam aquela frase estúpida e inútil do fale-me de algumas qualidades suas. primeiro que tudo, fico logo com um zumbido nos ouvidos terrível, como se fosse o som de um garfo a raspar numa panela, depois sinto-me profundamente ofendida por ser obrigada a cooperar com aquele esquema deprimente. há coisas que adoraria poder dizer, como:
. quando compro SuperGorila faço os maiores balões que conheço
. sei andar de bicicleta sem usar as mãos
. não passo à frente de ninguém nas filas
. quando vou à casa de banho lavo as mãos
. ou, quando era pequena, consegui ocultar durante algum tempo (pouco, é certo) o segredo de ir para a escola com o pijama por baixo da roupa para não ter que o despir.
era o mínimo de inteligência que eu poderia mostrar. mas não, sou simpática, proactiva, ambiciosa e tenho espírito de sacrifício.
santa paciência.

defraudada - (Moinho de Santana)

há moinhos em Lisboa e eu não sabia. é exagerado dizer isto, mas em duas horas descobri mais do que em meia dúzia de anos. a alegoria da caverna tem-me aparecido na cabeça aos solavancos. há uma tendência devastadora para nos ficarmos pelo patamar mais básico. às vezes quero nadar para mais longe, está muita gente ali na rebentação, mas as ondas vêm mesmo de frente, imperiosas e decididas, e até lá chegar, engulo tanta água. depois vale a pena. gosto tanto de moinhos.

resolução simples

Lisboa depende do ponto de vista.

Sidney Poitier - The Measure of a Man - a spiritual autobiography

confesso que o espirituoso título: The Measure of a Man, foi meio caminho para a minha vontade de ler este livro, depois adoro autobiografias. ler duzentas páginas que no final me retratem a vida de uma pessoa é um exercício fascinante e acima de tudo, prático. melhora quando essa vida foi / é repleta de contextualidades diferentes das minhas.
como não podia deixar de ser, demora bastante tempo a abordar questões e dificuldades raciais, e há um bocado aquele lado americano, aquele género de histerismo quase aborrecido de: prefiro lavar pratos que me vender por um filme que vai contra as minhas convicções, mas que no final acaba com o tipo rico. mesmo assim, fala sobre a problemática do efeito do excesso de materialismo nas relações humanas e no final apresenta um discurso saudável e surpreendente sobre a imperfeição. foi uma simpática viagem.

ficar-se

o que se faz quando a acção é suplantada por um atrofio crescente que nos embacia o cérebro e nos deturpa a vontade? uma prostração avassaladora que se estende pelo pensamento e impede que quase nos mexamos. ficamos cegos pela inação e o tempo passa por nós acenando e nós não conseguimos dizer-lhe que queríamos ir com ele. os ossos gelam, os olhos descaem e a luz apaga-se degarinho. o que se faz quando a acção é suplantanda por um atrofio crescente que nos embacia o cérebro e nos deturpa a vontade?

IRIS - Oh mãe (ou como acordar bem numa Segunda-feira)

ainda se lembram disto: oh mãe, aquele moço bateu-me, deu-me um pontapé no cu.. ?

depois deste momento musical, acho que, orgulhosamente, me atrevo a concluir que se eu tivesse um IPod, as pessoas (literalmente) à minha volta (literalmente) eram mais felizes (literalmente).

coisas que me comovem

famílias numerosas.

cúmulo da precaução

mastigava exageradamente os alimentos para não entupir o lavatório caso vomitasse.

teoria da facilitação

tudo seria mais rápido se os cereais não viessem com passas.

Smog - Bloodflow

nas outras músicas, parece-me que a voz dele está demasiado alta para o som dos instrumentos, soa-me a dissonância, o que é uma chatice, porque gosto do estilo. nesta, tudo em sintonia, ouço-a por acaso na Radar, manhã de Domingo, sol, carro, campo, e bang! estou absolutamente fascinada / absorvida / viciada na música Bloodflow dos Smog. há muito tempo que uma música não me atingia como esta, 6 minutos em repeat, repeat, repeat, repeat, repeat.

imagino que tenha um vídeo bom, potencial não lhe falta, mas ainda não o vi. eu sei que não ligam nenhuma a posts de música, mas se por acaso o virem por aí, enviem-me o link que eu agradeço!

Vergílio Ferreira - Cântico Final

Ler Vergílio Ferreira acrescenta-me sempre algumas partes. Liga-me bocados que estavam nos locais errados e põe-me desinfectante no final. Este livro veio também em boa altura, porque tinha a absorção em alta.
Frases principais da minha leitura:
A paixão da "verdade", das ideias, é uma forma elevada, menos visível, da paixão por nós próprios.. (pág. 72)
Que coisa estranha a angústia! Não era "medo" - sabia-o bem. Precisamente agora que recuperara a esperança, ela o visitava de novo - essa opressão de vísceras, essa fascinação. No perigo imediato do corpo, nos limites do corpo, o animal reaparece - e o animal é que terá medo. A aflição vem depois, quando reaparece o homem. Eis-me aqui de novo erguido à minha face com a minha pergunta inútil e a minha raiva inútil. Nascer, viver, morrer. Meu corpo de maravilha. Meus olhos. Minhas mãos. Sinto-me todo presente a mim próprio, como é possível morrer? Como imaginar este corpo despovoado de mim? Movo os meus dedos, palpo os meus olhos - sou eu! Ah, o homem não sonha um deus: é quotidianamente um deus à sua maneira pobre de animal; e só sabe que o não é, em que instantes raros de prodígio! Nascer, viver. Grito até às sombras mais profundas do meu desassossego. Ninguém sabe do meu grito ... Aqui, à minha face, estou só. (pág. 124)
Há duas formas de vida e mais nenhuma. Não bem normas, não há "normas" de nada. Enfim, há dois modos de viver: ou se mete a vida na morte ou se mete a morte na vida. (pág. 162)
Eis que a manhã vinha aí e o sol e a vida, e a terra se ia cumprir sem embaraços. Sim, sim, não adiantava falar:
- A vida não se aprende, não se ensina...
- Nem a morte... (pág. 163)

banda sonora para o dia - Yael Naim

Into the Wild

dizer que este filme é lindíssimo é um bocado piroso. dizer que nunca tinha chorado tanto a ver algum tipo de arte, é altamente piroso. tentar falar sobre se o miúdo fez bem ou mal, se era excessivamente romântico ou apenas descompensado seria estragar a estória, a ideia, a vida daquela pessoa, conspurcando tudo à sua volta de palavras sem ponto de partida ou de chegada.

este é um filme que se sente. e nada do que eu possa dizer vai parecer inteligente ou apropriado, porque aquilo é demais. é de uma beleza avassaladora.

e a banda sonora é possivelmente comercial, mas ali, fica bem. e é um som homogéneo às imagens e ao seu significado semiológico.

Lisboa

estava de chuva, não havia trânsito.

(des)conto

internamente dou por mim a saber que acredito desde sempre na igualdade literal e que esta é uma das minhas angústias. não vejo justo que duas pessoas não tenham a mesma dose de felicidade, tristeza, sorte, conhecimento.
se assim não for - assim não é, certamente – não vejo o propósito da vida. para quê este esforço competitivo e diário para igualar os melhores classificados, se sei que não vou - nem quero - lá chegar. esta é a minha pergunta desde que aprendi a pensar metafisacamente.
gostava tanto de ser uma palerma oca e fútil. tanto, tanto.

conto de encantar

às vezes sonho com sapatos lindos, cortes orginais, padrões esplendorosos. é nesse capítulo que toca a abóbora chamada despertador e se inicia o conto de fadas chamado realidade..

teoria da Pedra no Sapato adaptada ao Sudoku

alegra-me pensar que a vida é como o Sudoku: depois de descobrirmos aquele número encrencado, tudo se desenrola naturalmente.

em digestão

apetece-me instintivamente visitar este sítio.

utilidade

para que servem os bocadinhos de madeira que vêm agrafados nas telas?

testando o amortecedor

enfim, uma lufada de bom ar.

reminiscências

hoje acordei com este filme na cabeça. com as florzinhas e tudo.

hora do lanche

BOLO GRANDE E ECONÓMICO
Açúcar - 1 chávena
Farinha - 2 chávenas
Fermento - 1 colher de sopa
Leite - 1/2 chávena
Manteiga - 1 colher de sopa
Ovos - 1
Raspa Limão - que baste
Sal - 1 pitada
Batem-se o açúcar, o ovo, manteiga e leite muito bem batidos. Junta-se depois a farinha com o fermento e a raspa de limão que se bate durante 5 minutos. Vai ao forno em forma untada com manteiga.
O Mestre Cozinheiro, 10ª edição, pág. 553

considerações: este é um bolo, que além de ter um título delicioso, e sair sempre bem, faz-se em 5 minutos com chávenas e pitadas quanto baste, o que é amoroso. conquistou-me há uns anos, e é um dos meus preferidos por toda esta harmoniosa simplicidade. experimentem que vocês merecem! :)

pedido

parece estar instituído que preferimos sair com pessoas ocupadas e que revelam novidades de cada vez que conversamos. as outras, as comuns, sem novidades e sem brilho nos olhos, aborrecem-nos, porque provavelmente nos remetem para nós próprios. mas a verdadeira questão é: até que ponto não imaginamos projectos e forçamos rugas de alegria só para recebermos convites? porque é que eu sinto que já ninguém se abre, com todo o bolor, e se mostra simplesmente como é?

ainda da leveza do ser II

Banquete de Platão: dantes, em tempos muito recuados, os humanos eram hermafroditas e Deus separou-os em duas metades, que, desde então, erram pelo mundo à procura uma da outra. Amar é desejar essa metade perdida de nós próprios.
Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser, pág. 255

ainda da leveza do ser

Tomas pensava consigo próprio que ir para a cama com uma mulher e dormir com ela são duas paixões não só diferentes como quase contraditórias. O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor (desejo que se aplica a um número incontável de mulheres), mas através do desejo de partilhar o sono (desejo que só se sente por uma única mulher).
Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser, pág. 19

A insustentável leveza do ser

este título titubeava à volta dos meus ouvidos há anos. acabei de ler, e na verdade perdi-me no meio de uma estória amorosa sufocante e doentia, onde tudo começou mais coisa menos coisa, aqui: Deve-lhe propor que venha instalar-se em Praga? É uma responsabilidade que o apavora. Se a convida agora a vir passar uns dias a sua casa, ela virá imediatamente oferecer-lhe a vida inteira. (pág. 11).

mas no geral, gostei da forma como é abordada a nossa vida: Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É o que faz com que a vida pareça sempre um esquisso. Mas nem mesmo "esquisso" é a palavra certa, porque um esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso que a nossa vida é, não é esquisso de nada, é um esboço sem quadro. (...) Não poder viver senão uma vida é pura e simplesmente como não viver. (pág. 13)

agora vou ali espairecer um bocadinho, que isto assim não desce.

eus

comparando a quantidade de gente que conhecemos, são poucas as pessoas por quem sentimos saudades. dentro deste grupo especial, temos possivelmente um leque de feitios diferentes mas perfeitamente coordenados. assim, reconhece-se o elemento caracterizador de alguém, que pode ser a simpatia, a rectidão, a ingenuidade, o conforto, a timidez, a espontaneidade. num momento introspectivo, dou por mim a pensar que a falta que farei, será brevemente assegurada pelos outros. hoje acho que não me distingo por nenhuma particularidade e isto deixa-me estranha de mim mesma.

não é para todos

fui à Comuna ver o Desassossego. mais que um bilhete e uma peça, é aquele cheiro bom do teatro, a madeira, o mofo, o velho. cheiro de ensaios, energias partilhadas, noites longas, frias mas calorosas e cheias de sentido. depois a peça, a bíblia que é o Livro do Desassossego, a magnífica presença de Carlos Paulo que a dada altura parou o espectáculo e pediu aos idiotas que riam, gozavam e incomodavam os outros, que saíssem. para onde quer que me vire, estou cansada de gente mal formada e profundamente estúpida. o actor retomou o personagem e nós a vida, quando as luzes se acenderam. gostei muito.

livros para ler

não é o meu género literário preferido, mas é um daqueles livros que, pelo sim pelo não, se deve ler. deixo uma transcrição em jeito de resumo: Vêm aí calores cada vez mais infernais, uma subida do nível do mar que levará as águas a engolirem ilhas e a invadirem continentes, vão aparecer tempestades crescentemente brutais, a desertificação irá alargar-se a metade do planeta e as colheitas mais produtivas serão destruídas pela seca. No mesmo instante em que isso acontece, o petróleo em grande quantidade acaba de modo abrupto e apanha-nos de cuecas na mão, totalmente desprevenidos. A economia entra numa profunda recessão, as empresas fecham, aparece a fome, quebra-se a ordem pública e, quando deres por ela, a nossa civilização já desapareceu. (pág. 408).
no fim da leitura, e sendo eu do mais maternal que há, surge-me apenas um pensamento: vale a pena ter filhos ou será pôr em prática uma conduta emocional meramente egoísta?

notícias do interior

o coração corre-me apressado, à frente dos pés, como se fosse um cão preso pela trela. safardana do bicho.

uma pausa

há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.

romantismo

não entendo porque se fotografa e assiste ao pôr-do-sol. é tão triste.

cronicidade

concluo, desordenadamente, que num funeral se celebra a vida.
antes isso.

quando for grande, quero ser cowboy

o problema das compras online é mesmo este: a compra por impulso deixa de ser apenas o expositor colorido em que os olhos batem enquanto se espera a vez na caixa do supermercado, mas sim tudo o que o nosso inconsciente guarda e que três cliques bastam para fechar o negócio. desta vez não resisti e comprei a primeira série dos Young Riders. e fiz bem. todos os dias vejo pelo menos um episódio e faz-me um bem danado. durante esses minutos, viajo no tempo, relaxo, rio-me com vontade, vivo. adoro aquele espírito, aqueles duelos pela honra, as aventuras quase ultrapassadas mas ainda deliciosas e claro, os momentos ternurentos que tão bem retratam a pura amizade, a verdadeira. aquela que já não existe e para as quais não eram precisas palavras, presentes ou sequer grandes sorrisos. porque chegavam as acções.
digamos que ver aquilo é uma espécie de Noddy para mim.

5 filmes

Desafio da Mir : 5 filmes inesquecíveis. um filme é uma estória. as estórias têm fibras que encaixam melhor ou pior nas nossas ranhuras emocionais. inesquecíveis, há demasiados. hoje ficam estes:

anúncio genial

Sims real

tenho a barra "Fun" vermelha.

fome

se o peixe morre pela boca eu morro pelo lanche. é a minha refeição preferida e só a tomo em condições 2 vezes por semana. discordo totalmente disto. comia tão bem um bitoque diário ao lanche. e bastavam-me uns 10 minutinhos. ou uma pizza. Hut.

facto do que para aí se vive

se os cigarros dessem saúde, só alguns tolos fundamentalistas fumariam.

músicas da minha vida I

validez

neste estranho mundo, há uma estranha regra que nunca antes me tinha sido apresentada. é a regra para roupa escura, que diz o seguinte: não se pode vestir roupa escura nova, antes de a lavar primeiro. factos: fica-se azul escuro, como se tivéssemos passado por um solário avariado. consequências: não sai facilmente e eu estava demasiado cansada para me esfregar freneticamente. sinto-me um alimento fora de validade, o que até é divertido, mas só espero não ser atropelada hoje. os paramédicos iam-se assustar de morte.

conspurcação

- Olha, aquele ali já vem com os copos!
(Era o empregado do bar com uma bandeja cheia na mão.)

slogan

Sábado, manhã chuvosa de auto-estrada. viagem para Óbidos, que é praticamente um lugar mágico. céu branco. gosto muito quando o céu está branco, não há sombras fantasmagóricas, nem se vê o infinito. e no meio do sono e do caminho, subitamente, vem-me à cabeça um slogan fabuloso para cigarros: O hábito faz o óbito. Fiquei contente.

este ano e o outro

pois que dedico este dia de trabalho-a-encher-chouriços à minha Tarte de Pastel de Nata que fiz ontem à noite e que ainda não pude experimentar. 2007 foi um ano de coisas-que-tinham-de-ser-feitas. 2008 também não vai ser um ano de realizações. para viver no verdadeiro sentido, é preciso dinheiro e estatuto. vou portanto continuar a encher chouriços. mas logo à noite posso comer a minha Tarte de Pastel de Nata regada a vodka e uma alegre cigarrada e isso é hoje suficientemente compensador.. FELIZ ANO NOVO!!
(sem passas, por favor..)

papéis

o cabelo define as pessoas, mas a maioria das pessoas não definem o cabelo. há uma tendência para o aproveitamento esticado de não retribuir. está mal.

e agora sou eu..

um dos bons anúncios de natal da Coca-cola.

e aqui um vídeo com uma malta gira!

resta-me dizer: FELIZ NATAL !!

(já venho tarde, mas ontem não tive tempo, bah).

composição: o meu natal

o meu natal é o dia 24 de Dezembro. esse dia é o meu pico mais real e doce do ano inteiro. a minha família é a minha religião e nesse dia, religiosamente, estamos, conversamos, trocamos mimos. nunca tive um natal cheio de gente. gostava tanto. poder multiplicar esta conexão de emoções de quem partilha a vida e os anos. o meu natal é calmo, rápido, mas absolutamente cheio de ternura. naquela noite sou invadida pela nostalgia da vida. penso em todas as pessoas. dá-me uma vontade enorme de oferecer abraços. há pessoas importantes com quem não partilho o natal, e penso muito em todos eles nessa noite. criei comigo a tradição de, a meio da tarde, me sentar à frente da árvore de natal, e enviar pensamentos telepáticos para as luzinhas, numa tentativa infantil de transformá-las em relatórios entregues de mensagens. tenho sempre um nó na garganta, e no fim da noite, olho para os que ali estão ao meu lado, e dá-me sempre vontade de chorar. nunca choro. tenho vergonha.

presente

porque o musicovery é como os lenços de papel: dão sempre jeito.

generosidade ao almoço

- é um café e um sonho para esta menina.

magia esférica

epifania

gosto da calma de me sentar, e de limar umas arestas, caso me apeteça. ou deixar para amanhã, porque afinal não, nunca é tarde.
considero uma nova fase esta sensação de que a vida não se sonha, não se constrói. a vida apara-se. como se fosse um bocado de pedra mármore. com paciência e tempo esculpimos uma coisa. qualquer uma. mais ou menos perfeita, mais ou menos bonita, porque o importante é uma peça que permaneça. qualquer uma.
a mim basta-me o rascunho bruto. não sou artista.

gargalhada

este é um vídeo que VALE A PENA VER, COM SOM e até ao fim. sugerido pela minha querida C., que ainda não tem um blog mas que me disse num chat: vê, é como a nossa vida.
agora percebo porquê.. :P

Tuesdays with Morrie

numa madrugada daquelas em que não temos sono, porque tudo faz sentido acontecer no minuto a seguir, apanhei o filme na televisão. fiquei a ver porque nos dias em que tudo faz sentido, faz sentido seguir aquilo que nos apetece. chorei baba e ranho porque sou propícia a sentimentalismos baratinhos. fui pesquisar o nome do filme, descobri que era uma estória real, e comprei o livro, que é talvez demasiado lamechas, mas o filme, é daqueles que devia vir com as estantes da sala.
porque faz sentido.

fórum

Parece que é desta que posso ir experimentar Yoga.
Dicas e sugestões, aceitam-se.. ou melhor, solicitam-se!
Quem dá mais?

formatações

se eu fosse várias pessoas, podia perfeitamente ter esta vida contida, sem grandes voos, orientada para a honra, passividade, precaução e indolência e ao mesmo tempo, conseguir viver a minha vida, concretizando os meus sonhos e arriscando as minhas teorias, podia viver em vários países, aprender no terreno e longe do ninho. voar, ser como as aves, quer isto significasse 6 ou 60 anos mais. ter escolha directa nos passos a tomar e nas direcções e acima de tudo, ter espaço e abertura para poder defender as minhas causas. e não ser esta marioneta de vestido até aos pés.
(por favor não escrevam comentários como: podes ser o que tu quiseres, vive os teus sonhos ou ainda melhor, que visão tão pessimista.)
conclusão: ler isto põe-me a pensar, a pensar..

I Am Kloot - Proof e o mundo redondo

ando sem nada para dizer. por algum motivo as minhas escolhas são erradas. podia dizer que se só houvesse gente a acertar, o mundo tombava, mas como o mundo é redondo, digo só que talvez acabemos sempre por ir parar a algum sítio.

tele

O ego de um indivíduo mede-se pelo volume do toque do seu telemóvel.

Campanha WWF - Brasil 2007

gnoveva

hoje troco a imagem-verde-roubada-da-net, por uma fotografia original.
é justo.

alegria

e as temperaturas descem, devagarinho..

factual

ser modesto é como vestir amarelo: há dias em que não apetece.

justiça

só não é fatigante ler no pretérito perfeito, quando o escritor é impetuoso.

Bright Eyes - At The Bottom Of Everything

I'm happy just because I found out I am really no one.

teorias

prefere-se o laranja ao amarelo, o cão ao gato, o pão ao croissant, a lula ao polvo, as calças aos calções, os doces aos salgados, o futebol ao basquetebol, a fotografia à pintura, os cachecóis aos gorros, as farturas ao algodão doce, o liso ao encaracolado, o direito ao esquerdo, a maçã à pêra, o quadrado ao triângulo, a viola ao violoncelo, a pastilha à goma, a gravata ao laço, os óculos às lentes, a letra ao número.
há elementos claramente subalternos.

discriminação animal

há camisolas para o frio para cães, mas não há para gatos..

The Danish Poet

o YouTube não tem, mas vale a pena ver a estória completa, aqui.

conceitos

será falso tímido um indivíduo que se apresenta como tímido? provavelmente a timidez não o deixaria identificar-se prontamente como tímido, caso o fosse. queres dançar? não posso, sou tímido. a timidez existe?
o que separa um tímido de um reservado?

ajuda

alguém sabe qual é o nome da música clássica que dava há uns anos, não sei se ainda dá, por volta das 7, 7:30 da manhã na rádio (renascença, talvez..), e que é assim uma espécie de alvorada em som de flauta?

vocês aí

ninguém com quem me cruzo na rua parece desapontado ou sem objectivos. há algo de imperial nas caras das pessoas que as transforma em pequenas pedras, sedimentares, mas ainda assim, pedras. todos parecem ter um sítio para onde ir. como? há sempre alturas em que vagueamos sem sentido a fazer tempo para inspirarmos força outra vez. nos blogues que leio, vivem as mesmas inquietações que eu sinto e outras. mas.. onde as escondem quando nos cruzamos na rua?

inteligência

Freedom of speech.. just watch what you say.

desejos

condição essencial quando comprar casa: uma lareira.

galinicismo*

é um estado mental que reduz a vivência de uma mulher à protecção desmesurada e territorial do seu núcleo familiar restrito, enaltecendo-os infinitamente, sendo, de igual forma, incapaz de manter uma conversa inteligente e interessante após a maternidade, sobre qualquer tema que não directamente relacionado consigo ou os seus.
na incapacidade de o alterar, demonstro constantemente a minha indignação, esperando não me vir a transformar em tal insensível limitação.
* de galinácea

bongo

And slowly a discussion begins - as Morrie has wanted all along - about the effect of silence on human relations . Why are we embarrassed by silence? What confort do we find in all the noise?
Tuesdays with Morrie, Mitch Albom

a almofada Orgulho

e agora fazia copy/paste 170 vezes e tinha uma manta linda de morrer..
(sim, estou muito orgulhosa, sim, apetece-me mostrá-la e sim, tenho medo de pessoas pouco coloridas.)

pendência

quem voa não sabe tropeçar? quem nada não sabe cair?

viagens

João Afonso de Aveiro.

Ria de Aveiro (que faz tanto lembrar Veneza e eu não sabia.)

não comi ovos moles. comi tripas, de morango.
e estava frio. :)
___________________

para memória futura:

Máxima escatológica da viagem: "Quem vê cães, não vê cagalhões!"

voyeurismo rodoviário

é tentar ver o máximo de interiores de casas e suas decorações pelo vidro do carro, em andamento.

compensação

mas há lá algum mergulho em mar azul turquesa, que substitua este chá quente, bolinhos caseiros, sol nas costas e mesa com romãs, castanhas e nozes?!

weeds

há músicas perfeitas, que se encaixam nas nossas emoções. há letras que são poemas e palavras que são poesia.

teorias

há poucas coisas tão desconfortáveis, como ter roupa estendida na rua enquanto chove, faz vento e é de noite.

realização

ganhei este jogo.
obrigada!! :)

1, 2, 3 experiência ..

video

apresento efeméride, que nasceu da vontade de experimentar o vídeo.

quadrado

a ambição transformou-me o formato do cérebro.

piada +/- extraordinária

sou como os relógios: tenho tempo.

Os Melhores Sketches dos Monty Python

não ia ao teatro há anos e ainda não conhecia o Casino de Lisboa, além disso o bilhete foi gentilmente oferecido, o que tem sempre outro encanto. foram duas horas regadas a muito riso, com picos de grande entusiasmo do público como o sketch da piada enquanto arma mortífera, (a que sobrevivemos todos), o do produtor de filmes, o dos polícias com vozinhas esquisitas ou o da pancada na cabeça. no final, ficou a vontade de ir beber um copo a seguir, e dar asas à boa disposição pela noite fora, mas não se pode ter tudo.
às quartas-feiras, ainda a semana é uma criança.

jogo

porque às vezes temos de jogar a dinheiro.

as calças-de-tecido-de-cortinado

cá estão elas: tecido cortado, alinhavado e com bom aspecto. aparentemente, a fórmula está a funcionar, ena! o resto fica para o fim-de-semana, que as casas ainda não vêm com máquina da costura incluída. mas deviam.

costura

quem tem tempo, tem ideias. ponto. assim sendo, meti na cabeça que posso costurar umas calças em tecido giro, para andar em casa. li umas coisas sobre o assunto e das duas, três: ou a malta complica demais ou eu descomplico demais. na minha cabeça tenho o passo-a-passo estruturado: corto o tecido por umas calças que goste, faço a baínha e coso o resto, meto o elástico e já está. parece assim uma coisa muito abstracta?

The Book of Illusions

gosto muito mais de livros narrados na primeira pessoa do singular. há sempre uma maior ligação com o leitor, um género de confidência que não existe quando lemos a estória como se fosse uma notícia de jornal.
Paul Auster é uma daquelas personagens de que é fácil gostar, mais não seja pelos títulos sugestivos que dá às suas obras. dizem que este livro é talvez um dos melhores dele, não sei, mas gostei bastante. embora as descrições, tanto de personagens, como dos próprios filmes, mais pareçam reais, ao que parece é tudo ficção, e está tão bem escrito, que fiquei cheia de pena por nada daquilo ter acontecido. faz jus ao título, lá está.

estorieta

eram dois rapazes. um tão ecológico, tão ecológico, que escrevia as cartas de amor nas mãos para não gastar papel e outro tão romântico, tão romântico que só lia o último parágrafo dos livros.

conclusão metafísica

não estou habituada a ouvir "não". nunca é tarde para aprender.

2 days in paris

as sinopses que li, ficam muito aquém deste maravilhoso filme. as gargalhadas constantes daquela sala de cinema praticamente cheia, ajudaram ao digerir saudável dos acontecimentos e dos pequenos detalhes que funcionaram lindamente. para além disso, há o tom informal de todas as personagens e a estória, que não é, nem por sombras, o principal, mas que nos faz pensar na mesma. além disso gosto bastante da Julie Delpy e tinha muita curiosidade em vê-la no papel de realizadora. fiquei também com muito boa impressão do Adam Goldberg. gostei muito. aconselho vivamente!
vejam o trailer, pelo menos!!

Shalimar o palhaço

aproveito uma sinopse para encerrar o assunto: Los Angeles, 1993. Maximilian Ophuls é brutalmente assassinado pelo seu motorista muçulmano, Noman Sher Noman, também conhecido por Shalimar, o Palhaço. O que à primeira vista parece ser um crime político — Ophuls tinha sido embaixador dos Estados Unidos na Índia e depois chefe do contra-terrorismo americano — é afinal um caso passional. Shalimar, o Palhaço é uma obra profundamente humana que junta as paixões mais ferozes e os conflitos mais graves do nosso tempo. Uma história de amor. Uma fábula mágica onde os mortos falam.
não o achei um livro genial, mas também não me parece ser esse o seu objectivo. pronto, acabaram-se os livros importantes e vou finalmente adoptar os livros opcionais, que são muito melhor companhia.

emprego

ser aberto, participativo, rápido, estável, maduro, assertivo, competitivo, obstinado, alegre, desinibido, sensível, confiante, prático, autêntico, hábil, seguro e satisfeito, não será uma espécie de obesidade psicológica?

não, obrigada

uma das características sociais mais irritantes é a expectativa. sabendo isto, procuro prevenir-me. li a sinopse e algumas críticas. entusiasmada, comprei o bilhete e dispensei tempo ao filme. não aprendi nada, e ficámos inconscientemente implicantes e tensos. sem querer, trocámos a tarde light de Domingo, por um estado de espírito deprimente. o cinema tem-me desapontado. não há nada de positivo e grandioso que se possa retratar, em vez de traumas constantes?

Bright Eyes - Four Winds

além da música, o vídeo vence pela ideia. o caos com que se cria a piada. a troca do vulgar pelo resultado desastroso. uma delícia, portanto.

lufada

tenho lido o meu blog, da forma mais imparcial possível. não sinto grande coisa. hoje descobri um de uma pessoa conhecida. li-o de uma ponta à outra, comovida. não há nada como a magnificência de nos abrirmos aos outros, mesmo que sejamos nada mais que um rol de inseguranças e fantasmas secretos.
há muito tempo, fechei portas importantes de mim para fora. hoje percebi, após período de honesta introspecção que não estou no caminho certo. sou inquisidora. sou preconceituosa. sou rancorosa. há muitas estórias que não perdoei. e devia. como devia.
gostava de um dia alcançar essa grandeza de espírito. só isso. saber que o que estou a dizer é do fundo do coração, e não ter medo de amanhã. da ofuscação da sociabilidade de quem me lê e me escuta. não ter medo de existir com sentimentos transparentes e largar definitivamente a armadura que tanto tem desfigurado esta existência.

estorieta

era uma cola tão forte, tão forte, que nunca saiu da embalagem.

entes

nada é mais confortável que as repetições triviais daqueles com quem nos sentimos bem. nada é mais devastador que a incompatibilidade emocional com todos os outros.

chefe

o fecho é uma espécie de superior hierárquico do nó?

gajice

não gosto de oferecer ou receber flores. lembram-me sempre funerais. e são a desculpa para não ter de dizer o que se quer. e depois há o baixar os olhos. mais por embaraço que por comoção. onde se põem? o torrão de açúcar para durarem mais. e a água. já não estão tão bonitas mas ainda as tenho lá. o murchar. a decadência. já não aguento mais. a secura. o pó. a tristeza póstuma. e o que ficou por dizer porque as flores ocuparam o espaço e os olhares. vou pôr masé esta porcaria no lixo. e ocupa logo um saco inteiro. e partem-se pelo chão raminhos secos. seca. literalmente. falta de imaginação e excesso de consumismo.
para decoração, gosto de gerberas. há flor mais completa?

fruta

quando for grande, vou fazer frases espirituosas:
  1. Eu não falhei. Acabei de descobrir 10.000 maneiras que não resultam. (Thomas Alva Edison)
  2. Definição de insanidade de Einstein: fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes.
  3. A capacidade para sobreviver reduz-se à adaptação a um meio em mudança. (Capitalismo Karaoke, pág. 213)
  4. Se não comete erros, deve estar a dormir. (Benny Hermansson, gestor de marketing do Ikea)

ora vejamos:

Se amanhã não for atropelado, é porque estava no sítio certo.

Se a luz da rua se acender, é porque tem um sensor de movimento.

Se apanhar uma intoxicação numa salada, é porque não a lavou bem.

Se o pneu do carro se furar, congratule-se se não estiver a chover.

(...)

Enfim.

relevância

no meio do tédio que é o desemprego, surge a questão mais pertinente da semana: será que já encontraram o Wally?! espero que sim, ele tem mesmo pinta de gajo porreiro!

ode

desde que comprei as Crocs, já ouvi os comentários mais estúpidos sobre o assunto. começa a cansar. acho que o que mais irrita as pessoas nestes sapatos/socas/sandálias ou o que quiserem chamar, são as cores e o ar descontraído, que é coisa que a cultura portuguesa não assimila. indignada, eu pergunto: para quando a crítica massiva aos sapatos de vela de sola branca ou às sandálias de cunha que as mulheres tanto gostam de usar?

porquê

esta noite era loura e fui por uma escada escura e subi muitos degraus, para provar que afinal o mundo não era só subterrâneo, mas lá em cima, existia um sotão enorme com vista para um parque natural. os meus diálogos, exclusivos, foram com o Humpty Dumpty, que era o mestre de obras da casa que eu descobri. pedi-lhe para fazer uns muros de uns andares para os outros, para se fazer uma varanda. ele não caíu.

Humpty Dumpty sat on a wall. Humpty Dumpty had a great fall. All the king's horses and all the king's men Couldn't put Humpty together again.

o jogo

este é mais um daqueles filmes que viveu ignorado na estante durante meses e que um dia em que o tédio venceu, lhe dei uma derradeira oportunidade.
é uma estória que de certa forma povoa a minha imaginação em forma de puzzles incompletos, e vê-la finalizada e montada foi uma espécie de concretização mental.
por tudo isto, achei-o fantástico, o que pode ser uma opinião contaminada pelas minhas teorias sobre o que andamos realmente a fazer na Terra.

operações

a música já não me é imprescindível, mas fazia-me confusão não ter nenhuma rádio preferida. iniciei então uma pesquisa e decidi-me pela M80, o que confirma a teoria que tenho um cérebro muito mais velho que o corpo. os transsexuais sempre têm mais opções.
Lisboa - 96.6 : : Porto - 89.5 :: Santarém - 97.7 :: Coimbra - 103.0

contrários

o bronze fica-me mal. aliás, o bronze fica mal à maior parte das pessoas. no princípio de Agosto, já dou por mim a pensar: nunca mais chega o Inverno. já tive férias, já dei uns mergulhos, já comi carapaus e salada de pepino, já acampei. já fiz tudo o que encontro de agradável no Verão, agora queria a minha vida de volta: frio, chuva, casacos, botas, gorros, bolos acabados de fazer, chás, incensos, cobertores, abraços apertadinhos, música, livros e empadão.

rutas

eu juro que não sabia disto antes. mas é um bom parque de campismo.

volta

de volta! ver as fotografias das férias nunca foi tão masoquista como este ano, porque por estas zonas (Picos da Europa - Espanha, altamente aconselhável), estavam uns agradáveis 21 graus, acompanhados pela suave brisa dos montes. claro que não posso deixar passar a oportunidade de registar a saga da grande vaca que, quem sabe, baseada em ligações astrológicas, decidiu, já no fim de vários quilómetros de caminhada, correr atrás de mim como se eu fosse o boneco saltitante com que o meu gato gosta de brincar. apesar do grande susto de ver uma grande vaca destas a correr na minha direcção, ainda fiquei com uma foto da mesma, porque ele é um tipo com humor. cá está a dita:
de resto, cheguei a Portugal e a temperatura duplicou, com o termómetro a marcar 44,5 graus. como se não bastasse, estive mais de meia hora parada no meio de uma auto-estrada, porque um carro se incendiou no meio da via. (INCENDIOU-SE!!). parece que amanhã a máxima é 28 graus, e eu vou ali enfiar-me no congelador. espero que depois alguém me abra a porta..

tempo de

há cerca de 12 meses, colocava neste mesmo blog, esta mesma imagem. fiz um textinho sobre as férias, mas era ridículo e apaguei-o. as férias não merecem textos chatos com palavras chatas. estou de férias, estou contente e chega. olé!!

influências

aparentemente, o meu gato tem uma vida de príncipe, passa os dias tranquilamente a descansar. o problema é este: tem muito mais pesadelos que eu, que ando aí todos os dias pela selva, a tentar sobreviver saudável. dá cada salto que me acorda de noite, ou me assusta de dia e fica muito aflito e chateado, com o coração a bater muito depressa. será que lhe infernizo a vida?

lei de Murphy

homens interessantes com gajas feias ou sonsas. grr.

(para não ser chatinha, dou um exemplo internacional: Josh Holloway e Yessica Kumala. opá.)

sempre

sou mais feliz desde que criei uma relação com a morte. todos morremos. e vemos morrer tantos dos que aprendemos a amar. e sobrevivemos, para o contar aos outros que nos aparecem no meio deste caminho que é a vida. e morremos. e eles choram e vivem mais até morrerem e os outros choram por eles. e continua a haver amor e gente e gargalhadas entrecortadas com esta ventania que nos derruba a casinha de palha que é o nosso corpo. e é por isso que há sempre mais alguém que fica, cá dentro desta chaminé chamada coração.

Zorro

nunca tinha visto este filme porque achava que era chato. hoje, na impossibilidade de me afastar para bem longe de casa com uma mochila às costas, ou na mínima das hipóteses, aterrar numa qualquer praia, nem que fosse a chover, liguei o DVD, suspirei e carreguei no play.
normalmente avalio os filmes pela forma como me teria dado gozo fazê-los. e faço sempre um resumo mental da situação real dos actores.
poder ser nada mais que actor, deve ser uma vida fabulosa.

premissa

a minha esperança tem-me roubado as palavras. não faz mal.

music

existem literalmente 1001 razões para que isto faça parte da nossa biblioteca. a primeira coisa que cativa é o título descaradamente sensacionalista, depois é o folhear: as fotos das capas, as recordações, as novidades (novas ou antigas), as transformações do mundo. espero ter tempo para ouvir isto tudo. vou tentar o desafio.

ir

a não perder, porque o artesanato é como as pessoas:
tem sempre camadas novas por descobrir.

a comprar

História infantil sobre a amizade de uma girafa, que andava sempre com a cabeça nas nuvens, e uma galinha do mato, com a cabeça cheia de frases feitas.
José Eduardo Agualusa, A girafa que comia estrelas

culturas

Lamento muito que hoje em dia, ir ao teatro ainda seja uma coisa elitista, quase como antigamente. Acho isto deprimente. O acesso à cultura devia ser possível a todos e oferecido a quem quisesse, tipo a Agenda Cultural. Gostava muito de ir ver esta peça, mas os bilhetes são entre 18€ e 20€, e eu, (vá-se lá entender porquê!!) prefiro dois sacos de compras no supermercado que, com jeitinho, me dão para comer durante uma semana, mais coisa, menos coisa.

manual

as diversões encontram-se, procuram-se ou descobrem-se? não acho que a resposta seja linear. por agora, só sei dizer que há qualquer coisa de sentimental entre nós e os objectos que enchem a nossa vida de espanto e divertimento, mesmo naquela altura em que o cinzento se apodera da cidade até não conseguir mais.
vivam as cores!!

ideia

apesar de não acreditar na generosidade humana, e de achar que somos todos uns porcos para os outros, reconheço que existem pessoas maravilhosas, que inspiram e que transformam os dias em cargas menos penosas. mesmo sendo uma ideia altamente repressiva, estas pessoas, raras, podiam usar um símbolo identificador na testa por exemplo, pelo menos até os especialistas da clonagem agarrarem a minha ideia arrebatadora.

toca

está aberta a nova tentativa anual para aprender a tocar guitarra. já tenho os dedos novamente vermelhos e dormentes, novos bocadinhos de coisas que mais me parecem impossíveis de conseguir reproduzir sozinha. tenho o cérebro a borbulhar de esperança e talvez seja desta, talvez não desista. talvez isto me venha a tornar mais feliz, talvez isto me permita testar novos limites de paciência e o esforço traga realmente a concretização. talvez daqui a um ano eu já saiba tocar o "Hey" dos Pixies, mesmo sem baixo, e a cantar ao mesmo tempo.

ser

o tempo é *.
*um grande filho da mãe dele.

oferenda

Não há lei nenhuma que proíba as pessoas de oferecerem coisas aos apresentadores de televisão? Pelo menos uma coimazinha quando aparecem com as bandeirinhas da junta de freguesia..

Walk the Line

estou fascinada. gosto muito da música do Johnny Cash, gosto da personagem em si, da roupa preta e da voz, do ar e da sensibilidade caótica. gosto de guitarras e sons imperfeitos, gosto de pessoas errantes e gosto de estórias verídicas. só vi o filme esta semana, mas não estava esquecido na minha cabeça. acredito que existem tempos que devemos respeitar e acredito em estórias de amor conturbadas, arrastadas, dolorosas mas inevitáveis, como foi o caso.

do Planeta Olilaco

ambrósio, apetecia-me ir dormir a sesta para o parque de campismo mais próximo..

irritação

pessoas que durante uma conversa, não tiram os óculos de sol.

Spider-Man 3

eu já sabia que não ia ver nada de excepcional e não vou criticar o filme: primeiro porque não o sei fazer, segundo porque não me apetece tentar. o que mais me espantou, foi a quantidade de crianças pequenas que assistiram a tudo aquilo. acho que não é um filme adequado a crianças. peço desculpa pela minha ingenuidade mas ainda prefiro outro tipo de actividades para os mais pequenos. e a quantidade e/ou tamanho de pipocas e refrigerantes nas mãos de gente gorda? temos uma mentalidade demasiado cinzenta.

ambição

quando for grande quero ser peido-intelectual.

parvoíce

devia existir um termómetro para medir a fartidez* que quando registasse determinado nível, obrigava as pessoas a irem imediatamente fazer aquilo que quisessem, evitando assim explosões que podiam sujar os vidros dos carros e isso.

*doença que faz as pessoas estarem fartas de alguma coisa

Pirates of the Caribbean: At World's End

(ATENÇÃO:

ESTE POST É ALTAMENTE ORIGINAL!!)

em resumo?

. Johnny Depp
. ecrã gigante
. quase três horas.
:)

tempo

há coisas que nunca mudam. ou quase.

comunidade

não entendo como é que há pais com blogs, que põem fotografias dos filhos pequenos na Internet.

regra

em dias de chuva, incenso.

hora certa, locais errados

prefiro gente mentirosa, a manipuladores passivos. é que os mentirosos apanham-se, mas os manipuladores aturam-se.

perdição

porque o IKEA também é feito de sabores. e bons. :)

opinião

palavras giras: caganita. palavras parvas: bodega.

proporção

porque é que as nêsperas têm caroços maiores que as melancias?

metas

fala-se do terceiro mundo, qual é o segundo?

retorno

enquanto tento devolver à minha casa as suas cores habituais, lembro-me daquele anúncio dos aspiradores, em que havia uma festa, as pessoas deixavam tudo sujo, o aspirador atraía tudo como se fosse um íman e acaba com uma corneta cor-de-rosa a apitar. nunca pensei que tantos anos depois, o fascínio da memória de tais 30 segundos me deixasse tão confortada. é publicidade enganosa, mas é bestial para suavizar a coisa.
só me falta a corneta para anunciar o final.

milagre

hoje nevou na minha casa. não foram os Deuses, foi uma rebarbadora.

puerilidade

já se comprava o bilhete, já.

grafia

sendo a vida um gráfico, não sei se preferiria a curva em forma de sino ou em forma de pêra.

ambivalência

Michael Porter, da Harvard Business School, afirma mesmo: As melhores empresas estão constantemente preocupadas.
Capitalismo Karaoke, pág. 194
será que com as pessoas, é igual?!

capitalismo karaoke

é fácil querer melhorar o Mundo, e é fácil ter um dia convincentemente bem disposto e positivo, mas é quase impossível a permanência dessa vontade. este livro é como olhar para uma criança a brincar aos astronautas, mas os autores não deixam de ser visionários.
na página 298, encontrei uma frase que pode muito bem resumir a ideia do livro: O capitalismo é apenas uma máquina; não é perfeita, mas é a menos imperfeita que já inventámos. (...) Talvez nunca tenham existido melhores oportunidades para se levar uma vida mais rica, criando organizações para as quais se goste de trabalhar e sociedades nas quais mais pessoas tenham uma hipótese genuína de realizar os seus sonhos.
se a vida for uma viagem, este livro pode ser um panfleto informativo das melhores paragens, mesmo que sejam demasiado caras, ou já não tenhamos tempo de as visitar.

dúvida:

os detalhes ou os pormenores?

the number 23

anda aí uma onda de filmes muito estranha, que é a maneira subtil de dizer tenho saudades de um bom filme no cinema. fui ver o The number 23 e ganhei uma noite muito má, com contas infinitas, facadas e muito stress. acordei por volta das seis da manhã e decidi que era mais inteligente ficar acordada um bocado, do que tentar dormir descansada. estes filmes existem, porque a maioria das pessoas aprecia, é isso?!

modas

como é que será que daqui a 30 anos, se vão vestir as senhoras mais velhas? será que ainda vão predominar os cabelos cinzentos (ou roxos, que são tão enternecedores), as saias e casacos escuros? as unhas compridas e pintadas? os colares de pérolas e bâton (acabei de descobrir que em português se escreve batom. que feio. soa a betume.) e os sapatos de salto quadrado médio? como seremos todos nessa altura? tenho algum receio de vir a ser daquelas senhoras demasiado coloridas e desproporcionadas, mas logo se vê.

ciclo

as melancias voltam ao frigorífico. está aberta a porta do calor.

dias

tenho a mania que se fizer tudo certinho, ninguém se chateia. mas ninguém faz nada certinho, e eu acabo frustrada, porque parece que a única pessoa que se preocupa sou eu. estou numa fase de ruptura, em que só me apetece fazer o mesmo. olhar para o meu umbigo e levantar a cabeça quando me começa a doer o pescoço.
será que as pessoas gostam mais das outras pessoas quando se sentem contrariadas e/ou esquecidas? aposto que sim. só pode.

piada

grande parte da piada da vida, é o facto de tudo nos parecer mais difícil do que é na realidade. as dificuldades temperam-nos os dias e os anos e as crises e o crescimento pessoal. lembro-me de uma conversa, em que me perguntavam qual era o meu principal objectivo de vida. eu respondi, reflectidamente, que era crescer e melhorar-me, mesmo tendo consciência da forma como isto podia soar.
e perguntaram-me se eu estava a gozar.

preconceitos

gostar de karaokes, é pimba?!

laranjas