mar adentro

este filme sabe bem. não tenho tempo para falar disto, e não tive tempo de o saborear como me apetecia, pela noite dentro. a vida real passa o tempo a tocar à campainha. é assim. num momento amamo-nos, somos cúmplices e julgamos uma amizade eterna e no instante seguinte reparamos que temos dificuldade em nos lembrar do nome da pessoa. somos criaturas perecíveis e tudo à nossa volta é ainda mais efémero e neutro. as relações interpessoais valem o que valem num momento. ponto. acharmos que somos importantes, especiais, inesquecíveis é uma tremenda ofensa à própria natureza. é, nada se perde, tudo se transforma. nada é eternamente importante. nem nós. nem os outros.

à volta de tudo isto sim, pode-se decorar com umas flores perfurmadas, endireitar com cuidado a ponta que ficou torta, regar com água, colar um postal a condizer e até fazer uma letra especialmente redonda com bolinhas nos i's, mas no fim, é tudo cru.

gostei muito.